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LEONISMOS

LEONISMOS

22
Ago15

Meditámos

Leonardo Rodrigues

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 @rubenandresantos @leonismos

 

No outro dia meditei pela primeira vez. Não escrevo primeira vez como se nunca o tivesse tentado fazer, escrevo porque só agora é que foi a sério, só agora senti que era a sério e estas coisas ou sentem-se ou não se sentem, ou são ou não são, senti e foi.

 

Queria-vos ter falado disto antes, quando aconteceu, mas só hoje consegui acabar de traduzir as sensações em palavras.

 

A minha quase ascensão a Buda deu-se quando deixei ficar cá em casa a minha prima, daqueles primos que vivem além mar e que só se vêem quando cai o Buda do templo. Ela estava irreconhecível, psicologicamente. Aquilo sobre o qual lhe falei da teoria há uns anos, e que achou estranho, começou a colocar em prática antes de mim, enquanto eu continuava a falar e a ler sobre a teoria.

 

Juntei-me, então, ao ritual da minha hóspede no terraço, o meu colega de casa também.

 

Vou dizer-vos que a experiência foi quase indescritível. Poderia rotular como indescritível, mas assim nem me estaria a dar oportunidade de tentar passar este episódio para palavras.

 

A meditação era bem simples, como se quer que toda e qualquer meditação seja: um senhor guiava-nos dizendo o mantra que devíamos repetir, com as contas feitas, 104 vezes. Assim o fizemos.

 

Quando finalmente acabámos, as palavras tinham-se esgotado e a mente calado. Nem precisámos de falar, o trio maravilha suspirou, deitou-se e ficou a contemplar o céu onde passavam nuvens e caiam estrelas. Nós e o céu éramos um, como se de repente a cidade, tal como nós, tivesse deixado de existir. Não haviam problemas, não havia trabalho exigente nem contas para pagar. A única coisa de que se podia ter certezas era de que tudo era possível, que tudo aconteceu, acontece e acontecerá na altura certa e que nem o céu é um limite.

29
Jul15

Obrigado, Lisboa (com fotos)

Leonardo Rodrigues

 

 

Hoje, ao remexer no meu baú de fotografias digital, decidi que ia partilhar convosco um pouco da minha complexa relação com Lisboa e alguns dos sítios que desde o primeiro dia que lhes pisei se tornaram favoritos, que me fizeram sentir pertencer à cidade, que me tornaram mais português, signifique isto o que significar. (Ver galeria abaixo)

 

Há cerca de dois anos, ainda com 18, mudei-me para Lisboa. A primeira impressão não foi a melhor, felizmente não perdurou como a maioria das primeiras impressões. Tinha demasiado medo para desfrutar e para permitir-me contemplar. Estava sozinho e não conhecia nada, tinha de encontrar casa e as aulas começavam dentro de uma semana.

 

Tudo o que era novo e diferente causava-me uma certa desconfiança, agora consigo encarar estes episódios com a curiosidade necessária. Precisei de uma semana numa cidade que me era estranha e que tive de passar a conhecer melhor que palma da minha mão, para entranhar a máxima pessoana, Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

 

Rapidamente entendi que Lisboa não é apenas mais uma capital. Há nesta cidade uma luz que a distingue de todas as outras. Os prédios que outrora foram colocados aqui e ali por acaso e necessidade, por mais que olhe, não parecem fazer sentido doutra forma e, permitam-me, são mais arte do que muita “obra de arte” que por aí anda. Enquanto no resto da Europa todos os caminhos vão dar a Roma, em Lisboa todos os caminhos parecem dar ao Tejo, o rio que aparenta e cheira a mar. Gosto que Lisboa adormeça todas as noites com o lisboetas e com os que cá estão de passagem, de sentir que sou a única pessoa acordada noite dentro, de andar por aí e sentir uma cidade que se tornou fantasma do dia para a noite, onde só há a luz dos postes que iluminam por iluminar.

 

Percebo, agora, talvez não tenha sido eu a escolher a cidade, escolhi um curso, depois escolhemo-nos os dois.

 

Obrigada, Lisboa, por me dares amores, desilusões e amigos que são agora família. Obrigado por abalares convicções e por ajudares a sedimentar outras. Obrigado por me ensinares vulnerabilidade e humildade. E, mais importante do que tudo, obrigado por me deixares tratar a bica por café.

 

 

Podem encontrar mais das minhas fotos aqui.

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