Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LEONISMOS

LEONISMOS

28
Out18

Confiança para andar de bicicleta, em adulto


Leonardo Rodrigues

action-adult-athletes-310983.jpg

 

Lamento já não ter a minha primeira bicicleta, e que as memórias sejam tão distantes. Foi-me oferecida por quem já não precisava dela, era branca, com manchas castanhas da ferrugem e tinha um porta bagagem que nunca utilizei. Embora não fosse tão moderna como a dos meus amigos, foi com ela que aprendi a ter a confiança para andar de bicicleta em estradas de terra batida, antes das obras desenfreadas do tio Alberto.
Quase duas décadas depois, e após vários anos em Lisboa a depender dos transportes públicos, decidi que estava na altura de comprar uma bicicleta e de voltar a algo que, até mesmo nós os portugueses, já não podemos ver como um meio exclusivamente de diversão. Esquecemos que esta é cada vez mais uma solução séria para a mobilidade quotidiana e, tal como quando era mais novo, resume-se a uma questão de confiança.
Com todas as limitações da cidade - que começam a ser menos - , e da nossa rede "pública" de bicicletas, aprendi a encontrar conforto das viagens de bicicleta que já se podem fazer em muitos pontos exclusivamente através da ciclovia. Sim, as ciclovias e os nossos passeios estão longe da perfeição, mas já é possível fazer uma viagem cómoda do Aeroporto até ao Marquês, quase sem perturbações.

As bicicletas públicas e as ciclovias transformaram a forma como os lisboetas, que se permitem a experimentar sair da arrogância do carro, se relacionam com a cidade. Se por um lado energiza-nos antes de chegar ao trabalho, por outro contribui para relaxarmos à saída, arejando a careca - basta dizer que não existe trânsito para os ciclistas. 

Depois de um mês neste regime, confesso que é mais fácil apanhar um pouco de chuva do que me permitir andar nos nossos transportes públicos saturados. Em horas de maior congestionamento é fascinante ver como tudo na ciclovia flui enquanto os condutores tradicionais estrebucham confinados ao trânsito. Demoro 13 minutos para um lado, 13 minutos para o outro.

Diria que o maior desafio é a forma como os condutores -  mesmo de autocarros e táxis - , apesar da sua responsabilidade, insistem em comportar-se. Parece que nesta cidade, talvez arrisque em Portugal inteiro, estamos todos contra todos - peões, condutores e ciclistas.

Temos de fazer as pazes, com respeito e soluções. Enquanto não vêm as infraestruturas que faltam, que pelo menos se respeite o código da estrada, se use as faixas apropriadas e que impere a boa educação. O resto seguirá. 

Todos sabem que andar de carro e de transportes públicos é mentalmente desafiante em Lisboa. Para os mais céticos relativamente a este veículo como meio de transporte principal, convido a pensarem-no como complementar, tanto aos autocarros como ao metro e ao comboio, e, até mesmo, às bicicletas elétricas públicas. Como é natural, eu também não encerro a minha mobilidade com as bicicletas - sei que pontualmente vou precisar de transportes públicos, de um Uber ou táxi e, fora do país ou da cidade, um carro.

Em suma, talvez a confiança não seja mais do que perceber que as bicicletas são o meio de transporte perfeito: limpo, rápido, seguro, de fácil manutenção e que promove a saúde - física e mental. Quanto a mim, de madrugada ou de noite, mesmo de fato e gravata, faça chuva ou faça sol, vou continuar estrada fora de bicicleta. Afinal, para a chuva existem capas.

 

28
Dez17

As bicicletas em Lisboa são Gira(s), e funcionam


Leonardo Rodrigues

image1 (2).jpeg

Ouço diversas vezes que Lisboa não é uma cidade para bicicletas. Mas, na realidade, o que nenhuma cidade deve ser é orientada apenas para os carros. Têm de ser dadas opções de qualidade para os seus habitantes escolherem. 

Além das scooters e dos carros partilhados, as bicicletas são uma ótima solução de mobilidade. Para muitos esta solução não será total, mas poderá ser uma valência que permite uma melhor articulação com os transportes públicos.

O projeto Gira peca por ter estado na gaveta durante muito tempo, mas o que importa é que está a despertar o interesse dos lisboetas e de quem nos visita. A aderência é notória e há quem interpele os ciclistas que as usam para perceber como funciona.

Temos de parabenizar a EMEL e a Câmara pela simplicidade do serviço. Necessitamos apenas da aplicação, disponível para iOS e Android, onde será feito o registo e escolha do passe - diário, mensal ou anual. Depois, é só desbloquear a bicicleta com o telemóvel, pedalar e devolver num ponto da rede Gira. 

Se tencionarmos usar este sistema todos os meses, o passe anual (25 euros) é o que faz mais sentido, ficando a pouco mais de 2 euros por mês. Embora nesta fase de teste as viagens até 45 minutos sejam gratuitas, o valor após o mês de março passa a ser de 10 cêntimos para as bicicletas normais e 20 para as elétricas. 

A orografia em diversos pontos onde o projeto Gira foi implementado é amiga das bicicletas normais. Onde ainda não é, existem as elétricas. 

Quanto ao lado negro, posso apontar que além das áreas onde existem ciclovias e sinalização apropriada ainda estarem longe dos objetivos, alguns lisboetas ainda não entranharam. Pelas minhas viagens de teste, foi notório que algumas pessoas só se afastam da ciclovia em último recurso, ignorando a campainha. Há quem ainda se vire para dizer que é por isso que não gosta das bicicletas. O que escrevi antes descreve situações onde continua a haver, no mínimo, dois metros de passeio, além da ciclovia.

Obviamente que nem toda a gente tem esta atitude. Alguns condutores dão prioridade, e o olhar de satisfação e curiosidade é frequente, além de fazerem perguntas como referi anteriormente. Mas há um grande caminho de sensibilização a fazer. 

Mais bicicletas e menos carros, além de contribuir para uma melhor qualidade do ar é benéfico para a nossa saúde física e mental. Quando os exemplos são bons, devemos aderir ao que já foi implementado noutros países. 

Sendo um projeto piloto que aparenta ser um sucesso, só podemos esperar a sua expansão e uma cidade mais amiga das bicicletas. Caso estejam a pensar utilizar este sistema ou uma bicicleta própria, sugiro ainda que consultem o site Lisboa Ciclável da Câmara Municipal de Lisboa, para uma viagem mais cómoda, menos alcatrão e sem o som das campainhas. 

 

Podem acompanhar o blog através do FacebookInstagram e Twitter

 

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Copyrighted.com Registered & Protected 
HMLF-E7YY-MGTC-ZU7E

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D