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LEONISMOS

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13
Jun16

Insónia pré primeiro dia

Leonardo Rodrigues

Existe uma patologia que, a meu entender, está a ser ignorada: insónia pré primeiro dia. Os primeiros dias, sejam do que for, são, por norma, determinantes. Há a quase obrigatoriedade de realçar o melhor de nós, com o sistema operativo a funcionar em pleno. Isto causa ansiedade. Ontem, não fosse um pré primeiro dia, deu-me esta insónia. Não a tinha desde os tempos de escola. Toda a gente sentiu aquele nervoso miudinho na barriga no domingo que antecedia o primeiro dia de aulas. Eu sentia todos os domingos. Neste dia, tudo parece começar de novo, o nosso telemóvel, penteado, guarda roupa e o amor incondicional pelos colegas com quem não trocámos nem uma SMS durante as férias. Na vida adulta, esta insónia acontece aquando do regresso ao trabalho. Hoje comecei no emprego novo -  isto significa pura e simplesmente não adormecer. Ontem, pelas 20h, ainda não sabia que a minha paranóia com o despertador ia regressar, mas já me sabia nervoso. Lavei loiça, varri tudo, lavei e dobrei roupa. A minha tia passou-me a OCD para curar os nervos. Depois da casa, lembrei-me que também eu tinha imenso que fazer por mim, preparei uma mochila com cadernos onde já sabia não poder escrever e um livro que sabia não vir a abrir. Para complementar, achei por bem colocar a agenda que não uso, 3 canetas da mesma cor e cartões que nunca utilizo, tudo pode falhar. E, para piorar tudo, olhei-me ao espelho e vi que a barba precisava de um jeitinho. O jeitinho transformou-se em: lavagem com champô e condicionador, aparar com o pente no número quinze, depois com o catorze e, como nada me parecia alinhado, fui buscar uma tesoura. Demorei uma hora para não falhar um milímetro. Entretanto chegou a 1 da manhã, aí descobri que a máquina xpto que comprei no meu primeiro ano de faculdade também tem algo para aparar os pêlos do nariz... Depois, as horas pareciam demasiado estreitas para conseguir dormir e havia uma questão que dizia para me manter alerta: será que o despertador vai tocar? O meu telemóvel já me pregou partidas traumatizantes. Não só tocou como estava a olhar para ao telemóvel para desligá-lo por 4 vezes. Mesmo tendo sido feriado municipal e tendo eu apanhando dois autocarros, com transbordo e caminhada por um bairro desconhecido -  O Google Maps traíu-me duas vezes - fui dos primeiros a chegar. Sobrevivi e fui bem recebido. Acontece que não dormir fez-me concordar com tudo e levantar questões às quais obtive respostas que não me lembro. O que me vale é que amanhã o dia nasce outra vez e que, desta vez, serei (re)acordado por dois despertadores humanos.

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