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LEONISMOS

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22
Jul17

Melhor forma de conhecer os vizinhos: adotar um cão

Leonardo Rodrigues

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É fácil aprender os nomes e conhecer as caras dos vizinhos que martelam às 2 da manhã, dos que que nos causam uma infiltração e daqueles que uma mosca no ar pode desencadear uma história de três horas. O difícil é conhecer os restantes, do prédio da frente e dos lados, e os donos e clientes dos cafés que não frequentamos. 

Era, mas apenas até a Dóris Carraça ter entrado nas nossas vidas. O seu amor por pessoas é reciproco. As crianças agradecem a possibilidade de lhe fazer festinhas e os idosos os quase beijinhos da Dóris. 

As caras desfocadas agora têm nome, perguntam como estamos, sabem quando e para onde vamos de férias, e até se mobilizam na nossa cruzada contra o café barulhento

Podia ser apenas isto, mas tornou-se mais. Ao sairmos de casa a cadela puxa-nos para o lado esquerdo, sabe que tem de ir cumprimentar a Maria dos Anjos. É a dona do café que tem sempre um petisco, como gosta de chamar, para a Dóris. As senhoras que lá passam o dia divertem-se, elogiam, fazem perguntas e festinhas. Depois podemos seguir. Se a Júlia estiver na janela a alimentar os seus pombos de estimação, também faz questão de dar pão à Dóris. Mais acima temos o senhor do café indiano, que faz sempre questão de lhe dar um biscoito. Ela sabe que se for fofa consegue um segundo. Biscoitos comidos, já em direção ao jardim, é possível ouvir a senhora dos 11 gatos a gritar Dóris da janela. 

Depois existem as mil pessoas que passeiam os cães connosco. Nunca consegui fixar os nomes dos donos, mas sei o dos cães, que me trazem sempre à memória as histórias dos donos. Para confirmar só tenho de dizer coisas "é a popota?". "Ah, vi-a às 6 da manhã quando a Dóris estava mal da barriga". "É a dona do Pablo?". "Espero que a potência sexual do seu cão tenha diminuído". Há uma senhora muito idosa que ao ver as nossas cadelas brincar diz sempre, "que bonito, cum c*****o. É a dona da Bia. 

O bairro mudou para nós e nós para o bairro. Há sem dúvida uma maior proximidade, que nem sempre é fácil em Lisboa, e que nos deixa mais confortáveis. Bastou-nos apenas adotar a Dóris Carraça. Ficámos todos a ganhar. 

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