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LEONISMOS

31
Jul17

3 dias em Istambul, no centro do mundo

Leonardo Rodrigues

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Vou poder dizer, enquanto viver, que estive na Turquia antes de abolirem o ensino da teoria da evolução nas suas escolas. Comecei por onde se tem de começar, a mítica cidade de Istambul. É, para mim, o centro do mundo, onde as coisas do Oriente e do Ocidente se juntam para se separarem. 

A cidade é imensa, não fosse o lar de quase quinze milhões de pessoas. Surpreende pelos contrastes, que vão além de arranha céus e prédios de madeira. As mesquitas avistam-se mais alto que tudo. Tem um sofisticado sistema de transportes, e um aparelho turístico irrepreensível. Na cidade dos rooftops, pode-se comer bem e barato, apenas se não cedermos à pressão do comerciantes.

Tínhamos três dias e, graças à localização privilegiada do nosso Airbnb, junto da praça de Sultanahmet, fizemos tudo o que é obrigatório.

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Começámos pela Mesquita Azul. Embora na prática não sejam colocados entraves aos homens com calções, o correto são calças para os homens, e as mulheres devem estar o mais cobertas possível, com ênfase para a cabeça e os ombros, porque Alá assim disse. Os sapatos não são permitidos, ficam à porta ou facultam-nos um saco. As mulheres muçulmanas oram dentro de umas salas recônditas, uma vez que não se devem expor na dianteira, com os homens. O seu interior é muito trabalhado, é mágica e, de tão imensa, não me espantaria se tocasse realmente no céu - embora não seja maior do que a Hagia Sophia.

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Sinónimo da imponência de Constantinopla, em tempos de Constantino II, Haghia Sophia foi inicialmente uma basílica, a Magna Ecclesia. Com as mudanças de poder, acabou por se tornar numa mesquita. Hoje em dia é um museu dos mais visitados do mundo, graças à iniciativa de Ataturk, o presidente que aproximou a cidade do Ocidente e promoveu uma clara separação do Estado e religião. A entrada custa 10 euros e vale cada cêntimo.  Ficámos horas a contemplar os imensos pormenores. 

 

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Ainda naquela parte da cidade, a Basílica Cisterna, uma maravilha romana onde poderiam estar milhares de litros de água, que abasteciam a cidade, é outro must. Curiosamente, devido à renovação dos povos de Constantinopla, a Basílica como que se perdeu. Quando os habitantes começaram a conseguir pescar peixes com baldes das suas caves, lá descobriram a construção milenar. É arrepiante estar dentro da cisterna, mais ainda se pensarmos que uma construção daquela magnitude mobilizou milhares de escravos. Acredita-se que o "pilar das lágrimas" foi lá colocado em homenagem aos que morreram. Espero que sim. 

 

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Para se almoçar bem e barato ali perto, nada como ir comer até ao telhado do Doy Doy, um maravilhoso restaurante de cozinha tradicional turca, a preços e vistas bem apetecíveis.

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O Grand Bazaar é outra paragem obrigatória. Pensemos neste como um centro comercial tradicional, térreo, que se estende por vários quilómetros. Não tenham ilusões, vão perder-se nas milhentas ruas. Enquanto se perdem e encontram uma das muitas saídas, lembrem-se de regatear sempre o preço. Na primeira tentativa de lá entrar - domingo - estava fechado. Nos dias de semana fecha pelas 19.

 

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Para reabastecer na rua, e que podem comprar com apenas 8 liras turcas, ou dois euros, é a sandes de peixe. Esta é vendida do lado ocidental da cidade, mesmo junto ao mar do estreito do Bosforo. Tentei saber qual a mistura de especiarias que lá se colocava, mas ninguém me conseguiu explicar. Nas lojas, encaminharam-me sempre para a fish spice, que era diferente da que me deram a provar...

 

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Por falar em fish spice, tenho de falar em especiarias. Embora não estivéssemos conscientes, passámos pelo bazar das especiarias, que também estava na nossa lista. Acontece que naquele momento estávamos de mau humor, e só nos queríamos afastar do Grand Bazaar. Minutos antes, fomos abordados por dois engraxadores, que nos tentaram cobrar 90 liras turcas por conversa fiada e por nos terem molhado as sapatilhas. Não me pareceu que assaltos fossem frequentes, mas sim os esquemas para enganar turistas. De qualquer modo, rumávamos ao lado moderno, onde se avista a grandiosa torre. 

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É na torre de Galata, do lado ocidental, que se tem a melhor vista da cidade, para ambas as margens do Golden Horn e para o lado Asiático. É das atrações mais caras e não esperem descontos, se não tiverem cidadania turca. 

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Por estas paragens, existe algo muito frequente em Istambul, prédios inteiros convertidos em restaurante. Encontrámos um que se chamava Galata Konak Café. Além de doçaria irrepreensível no piso térreo, tinham uma vista muito semelhante à da torre de Galata, no último andar, mas gratuita.         

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Porque uma caminhada assim o quis, fomos ter à estação aonde chegava e donde saía o icónico expresso do Oriente. Outrora, foi o comboio mais luxuoso do mundo, e ligava metade da Europa ao Oriente. Transportou grandes vultos, da realeza às estrelas. Embora não conseguisse conter o entusiasmo, foi fácil entender que os tempos áureos dos caminhos de ferro acabaram.  

 

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Ir a Istambul sem ir aos banhos turcos é como ir a Roma e não ver o papa. É uma experiência cara, mas vale a pena. Os banhos turcos chamam-se Hamam e experimentámos a Çemberlitas Hamami. Dão-nos uma chave para a cabine, onde indicam para ficar apenas de toalha e chinelos. A chave fica no pulso. Depois é altura de rumar a uma sala quente onde a temperatura é superior a 40 graus. Quando já não aguentamos a humidade, chega uma pessoa que nos manda deitar, estala as costas e esfrega-nos vigorosamente com uma luva. O passo seguinte é o banho frio. Embora seja tudo muito rápido, e bem pago, há uma grande insistência na gorjeta.

 

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Andámos durante estes dias, em média, 12 horas, mas nem assim conseguímos ter tempo para ir além do exterior do Palácio de Topkapı nem visitar a Ásia. Ficará para a próxima viagem.

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Acho que é normal não saber o que esperar desta cidade. Começamos com receio do que se ouve e lê, mas acabamos por perceber que é mais segura do que a nossa e que as pessoas são muito afetuosas. Contudo, existem diferenças culturais estranhas à vista e aos ouvidos. Cinco vezes por dia entoam-se passagens do Alcorão para toda a cidade, anunciando os momentos de oração. Curiosamente, ou não, o livro sagrado do Islão está disponível gratuitamente nas mesquitas, em muitas línguas. Trouxe a minha cópia, para ter a certeza do que diz.

Istambul poderia ser uma cidade europeia, apenas ainda mais limpa e cuidada. Recomenda-se com muita nostalgia, e memórias que já não cabem num post que vai longo. 

 

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Caso tenham alguma dúvida enviem email para leonismos@sapo.pt, e acompanhem sempre o blog através do Facebook e Instagram.

07
Jul17

Obrigado, Cristina

Leonardo Rodrigues

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Aqui no blog, já agradeci ao 25 de abril e à cidade de Lisboa. Hoje é dia de agradecer a Cristina Ferreira. 

Ela, mais uma vez, e contra variadíssimos riscos, ousou, colocando na sua capa dois casais do mesmo sexo. Feito o teste, uma capa de um beijo sensual entre sexos opostos não choca, mas do mesmo sim. E porquê?

Porque a homossexualidade continua, por algum motivo, a ser diferente, um desvio à norma, uma aberração, uma calamidade, um prenúncio do fim dos tempos. Só que não é nada disso. É apenas amar pessoas mais parecidas.

Aparece dessa forma na cabeça das pessoas porque, a dada altura, um neurónio foi contaminado com a junção do conceito de mau ao de homossexualidade. Até aqui tudo ok, a minha mãe também me ensinou assim. Mas, quando me confrontei com isto, necessitei de questionar o neurónio infetado, algo que, uns anos depois, levou a uma aceitação da minha paneleirice crónica. 

Quando partilhei parte do meu percurso, fi-lo porque sabia que alguém ia precisar de ler. O agressor, o homem que ainda não o consegue dizer em voz alta, o rapaz que está quase a contar aos amigos, a mãe que lamenta não ter sido capaz de apoiar de imediato o filho, e a mãe que quer falar de bullying com os filhos. Não tive nenhuma reação negativa, e apenas me senti mais forte para continuar a ser eu próprio.

A Cristina Ferreira vai chegar àquelas pessoas onde a minha história, e outras antes de mim, não chegaram. A todos os públicos e a todas as mesas. Alguns dos tais neurónios vão ver o conteúdo questionado, e reagirão mal. É certo que o tabu, onde o é, deixará de ser e voltaremos a falar das coisas como são e que outrora foram às escuras. Só assim se procura saber mais, e só com mais informação se cura o país e o mundo. Por isso lhe agradeço, por nos fazer dar outro passo na direção certa. É preciso tomates.

 

 

27
Jun17

Estuda, para não acabares assim

Leonardo Rodrigues

Esta frase foi proferida, de mãe para filha, enquanto apontava para uma colega minha, numa conhecida loja de roupa. A rapariga é minha colega porque tem de trabalhar em dois sítios, já que um trabalho apenas não chega. E não, isto nada tem que ver com o facto de ela não ter estudado, estudou e muito. Seguiu a sua paixão e licenciou-se em terapia da fala. Poderia ter ficado calada, mas escolheu dar mais informação. Explicou que além de não ser a única licenciada na loja, a outra colega estava a terminar a licenciatura em arquitetura, e que o rapaz nos provadores era advogado. A filha não teve remédio senão rir-se da hipocrisia da mãe. Sabem, as profissões e os canudos não nos definem, se é que algum dia o fizeram. Existem aqueles que, devido a um mercado de trabalho não ideal, não podem exercer o que acham ter nascido para fazer. Há quem estude um curso só porque sim, quem não o possa terminar e quem considere que aquilo não é para eles. Os nossos caminhos são todos diferentes. Não têm de ser julgadas por uma profissão, nem pelos números que caem na conta todos os meses. Apenas pelo seu caráter e ações. 

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18
Mai17

Desculpem-me não ser turco e ter escolhido Lisboa para morar

Leonardo Rodrigues

Com o verão a chegar e muitos dias de férias para gastar, chega a hora de começar a marcar coisas que transcendem o meu orçamento. Um dos pensamentos que mais me dá cabo do orçamento é visitar a família, a casa. Ora, para lá ir não me posso meter num Alfa, nem num Intercidades ou no caos da Rede Expressos. "Casa" é a Madeira e, como tal, preciso de me meter num avião para fazer uma viagem que, comercialmente, não ascende uma hora e meia.  Curiosamente, e com muita sorte, tenho andado a ver viagens para outros destinos e a realidade repete-se. É muitas vezes mais barato, por metade do preço, fazer uma viagem de 5 horas para o Oriente, numa companhia que nos deixa levar bagagem de porão e serve uma refeição quente, do que ir à Madeira, com uma bagagem de mão calculada ao milímetro. Desculpem-me não ser turco e ter escolhido Lisboa para morar. Prometo não o repetir na próxima reencarnação.

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17
Abr17

A Perfeição Existe?

Leonardo Rodrigues

A questão não é nova, mas intemporal, e surge em muitas mesas. 

Foi na semana passada. O jantar ia tão avançado que, no máximo, ainda havia um pouco de gelado por comer. Isto é o mesmo que dizer que as mãos deixaram de segurar talheres para segurar telemóveis. Não é preciso muito para que, se ainda houver conversa, a mesma ter como base o que o visor está a mostrar.

A linha entre evolução do sentido estético, graças ao Instagram, e os rapazes e raparigas que cortam a respiração é ténue. Se a pessoa estiver com menos roupa, mais fácil se torna. 

Não são pessoas quaisquer, têm, além de um estilo de vida fabuloso, um corpo, uma pele e sorrisos que toda a gente parece querer ter. São representações de conceitos de beleza estabelecidos muito exigentes, distantes da maioria das pessoas, mesmo das que cuidam de si. Aí começa a comparação. Comparação com pessoas que talvez não sejam exatamente assim.

E continuamos a alimentar estas ideias diariamente, através da nossa dieta visual, nos media tradicionais, redes sociais, pornografia e publicidade.

Impomos-nos estes padrões, que levam a uma baixa autoestima, indo por vezes a extremos como a anorexia.  Por outro lado, impomos os nossos padrões aos outros, fazendo-os sentirem-se menores, ou maiores. Insatisfação de dois gumes. Nada é suficiente.

O que é feito de se gostar dos je ne sais quoi das pessoas?

Não quero dizer com isto que devemos deixar de ter preferências, cruzar os braços, engordar a ponto de ter problemas de saúde. Não cuidar da nossa higiene, e os piores cenários que vos surgirem. Mas acho que temos de parar de viver para fantasias colocadas em pedestais. Talvez 50% das vezes não tenhamos realmente de Mudar, podemos apenas cuidar mais de nós. 

Certo dia, um amigo disse-me o seguinte, Se estivesses sozinho numa ilha como saberias que o teu pior defeito é um defeito? Talvez nem defeito se tivesse. Tiveram mesmo que mo dizer, Leonardo, o teu nariz é torto. Neste momento é uma situação mais distante. 

Claro que gosto de cuidar de mim e de ter as minhas vaidades. É bom oferecer-me certas coisas. Se alguém reparar é um ponto extra e não tem de ser mais do que isso.

Já ouvi que "demasiado perfeito não existe", com um sorriso matreiro. A realidade é que não pode, para isso era necessário que a perfeição existisse em primeiro lugar.

 

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15
Abr17

Nudista por um dia

Leonardo Rodrigues

Não tenho dúvidas, as motivações para se ir a uma praia de nudismo podem ter uma componente voyeurista e/ou de exibicionismo. E também pode não ter nada a ver com nenhuma das anteriores. Nem tudo tem de ser sexual.

As praias onde é possível praticar nudismo, espero poder escrever isto assim, quase por regra, localizam-se em sítios recônditos, nem sempre de fácil acesso, como a do Meco. Não me refiro à do café, refiro-me à outra. Off the beaten track, significa menos gente e uma natureza menos tocada. Silêncio e pureza. 

Nestes sítios algumas pessoas sentem que podem, literalmente, despir os preconceitos e perder as camadas de conceitos que a sociedade obriga a vestir. E é algo que todos fazemos, mesmo com consciência de que nascemos sem cuecas e que, se a nossa mãe, enquanto adulta respeitável as estivesse a usar, sairíamos com mais dificuldade. 

Ontem à hora de almoço estava a dizer uma coisa sobre o assunto a uns colegas, pela hora do lanche estava a fazer outra totalmente diferente. Surgiu-me na cabeça porque não e, de repente, já não tinha os calções de banho. 

A suspeitar muito desta nova liberdade que me tinha concedido, estar como cheguei ao mundo na rua, decidi voltar-me de barriga para baixo. Afinal de contas, os rabos são socialmente mais aceites do que pilas, da mesma forma que as mamas são mais aceites do que vaginas. Sim, conheço esta última palavra.

Por momentos, abstraí-me das pessoas à minha volta e concentrei-me na novidade que era sentir o sopro do vento e o penetrar dos raios de sol, distribuídos por igual a cada milímetro do meu corpo. Isto com o som da ondulação do mar a preencher-me a cabeça. 

Depois voltei-me e sorri. Era o meu corpo de todos os dias, apenas num cenário diferente. Não estava na sala, no quarto, na casa de banho nem na cozinha. O meu corpo estava tal como era numa praia, a contrastar com a areia e com o mar. Um contraste deveras libertador, elementar e desprovido de conceitos. Foi natural.

Não sei quando voltarei a sentir o impulso de tirar os calções em público, mas confesso que se estiver numa praia onde isso não é pecado, é bem possível que os tire.

 

 

15
Fev17

Dizer amo-te

Leonardo Rodrigues

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Já tinha este post nos rascunhos há uns dias e hoje, após o dia que encheu o meu refeitório de corações, parece-me boa ideia concluir.

Há quem diga e julgue que os gestos falam mais alto do que as palavras. Como se alguma coisa pudesse significar mais do que palavras, do que uma palavra. Isso só é válido quando se banalizam as palavras, especialmente uma que, em tão poucas letras, pode significar tanto: amo-te. 

Por vezes agimos de uma forma que não queremos, da mesma forma que dizemos coisas que não sentimos. Agir contra a nossa natureza custa. Curiosamente, proferir o que realmente pensamos e sentimos também, sente-se uma pequena dorzinha.

Dizer amo-te, saíndo bem lá do fundo, é cirúrgico. Para mim, é quase como se sentisse que o meu peito se rasga para sair de lá dentro algo muito intimo. É sincero. Por outro lado, quando me é dito continua a acontecer algo de extraordinário em mim. Num episódio recente foram as lágrimas que começaram a cair apenas por o ouvir. Sem soluços, só um calor imenso. Afinal, o quão valioso é amar reciprocamente?

Pareceu-me que, à minha volta, de tanto se ouvir e dizer palavras como esta, retira-se o som das mesmas e, por consequência, perdem o seu significado e efeito. Criar um dia que manipule a economia das palavras e dos gestos deixa-me a pensar.

Olhem, sou por dizer menos e significar mais. Que se demonstre tudo, mas sem gastar a grandiosidade das palavras e das emoções. 

 

 

 

02
Fev17

Temos de desligar!

Leonardo Rodrigues

 

 

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Vivo numa relação de amor ódio com ficar sem bateria. Se houver algo que não pode esperar, é um pesadelo. Se não, é uma dádiva e acordarmos para coisas que nunca reparámos, como ver que o nome da estação Roma, refletida num dos vidros da carruagem é amoR.

Os tempos são insustentáveis. Deixar passar os reflexos da luz que dizem amoR não é grave, mas já deixar passar o Amor porque um retângulo convenceu-nos que a nossa vida está toda lá dentro, pode ser.

Os nossos telemóveis tornaram-se o centro, até dos jantares. Supostamente está lá tudo: as várias contas de email, o Facebook, o Messenger, o Snapchat, o Instagram, as aplicações onde se encontra o sexo e amor, as noticias, as memórias fotográficas, as notas, a agenda, o despertador, os mapas. Tudo, porra. E as notificações não nos largam, fazendo com que o trabalho, os colegas, os amigos, as estrelas e as desgraças se deitem connosco.

Sabem o que não está no telemóvel, nem mesmo no computador? As pessoas, de carne e osso, as conversas olhos nos olhos, o toque e os tiques, os cheiros dos lugares. O que vemos nos ecrãs são as representações disso. Temos de optar: representações ou os que temos ao nosso lado, à mesa e na cama?

Sinto que a ilusão de aproximação serve apenas para que a concretude das coisas se deteriore. O que sobra de nós, pode ser insuficiente.

Não proponho uma abolição de algo que melhora a vida moderna em muitos aspetos. Proponho, sim, que por vezes se deixe o telemóvel desligar ou usar o modo de voo. Desta forma conseguímos ouvir melhor quem está ao nosso lado e ver as nuvens sem photoshop que estão no céu.

 

01
Fev17

Os vegetarianos não afastam a carne do prato

Leonardo Rodrigues

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Deveria ser um tema datado, mas, mesmo neste novo ano de um século que tudo prometia, temos de continuar a discutir tudo como se fosse novidade.

 

Há duas mãos cheias de anos, ainda no secundário, motivado por livros maravilhosos que me chegaram às mãos, decidi que iria abandonar por completo o consumo de carne. Até hoje, acho que foi das melhores decisões que tomei. Na altura não foi fácil, nem em casa, nem na escola. Tive que aprender a cozinhar aos 14 - era isso ou continuar a afastar a carne dos pratos.

 

Afastar a carne da restante comida é algo que me continuam a sugerir, as piadas - com frango, fiambre, McDonald's e até sexuais - são as mesmas e o escrutínio do vegetarianismo continua. Quem diz vegetarianismo, diz sofrimento animal, alterações climáticas e muitos etc's.

 

Pedem-me continuamente que argumente, nem sempre tenho vontade. Se vir que estão a partir de um ponto de vista trocista, muito menos. Há uma frase de OSHO que gosto muito e que, de alguma forma, sintetiza a razão principal para o vegetarianismo.

 

A vida deseja prolongar a si mesma; o animal não morre de boa vontade. Se alguém o matar, você não irá morrer de boa vontade.

 

Além de mortes pouco dignas, os animais, até à morte, são criados em condições deploráveis - danosas para o meio ambiente e para a saúde de quem os consome. Penso também que se deus quisesse realmente que a nossa alimentação incluísse a carne, para quem usa este argumento, a mesma seria inanimada, cresceria em árvores e não possuiria sistema nervoso central.

 

Não espero que o mundo mude de um dia para o outro nem impingir um modo de vida. Nada deve ser feito assim. Gostava apenas que houvesse respeito mútuo e que todos procurassemos opções mais conscientes, no que diz respeito à sua própria saúde e ao meio ambiente.

 

As opções e combinações são imensas, tanto em casa como fora - muitos restaurantes no Porto já oferecem francesinhas vegetarianas, imaginem só. Quanto ao preço, muitas vezes é mais barato. Mantenham-se curiosos e atentos a futuras receitas a publicar aqui no blog.

26
Jan17

Cura para o mau humor: Friends

Leonardo Rodrigues

Há muitos anos que encontrei um medicamento que cura qualquer estado de espírito menos bom. Chama-se Friends, vem sob a forma de episódios e é administrado via visual e auditiva. Não é o mais refinado dos humores, ainda assim é tão genial que nunca desilude e as piadas da série permanecem intemporais. São 10 as temporadas e iniciei o meu quarto tratamento esta semana. Isto é: voltar a ver duzentos e tal episódios. Não dá para evitar, a serotonina reproduz-se a um ritmo alucinante com com camaradagem deste grupo funcional de tão disfuncional - a estupidez do Joey, o sarcasmo do Chandler, a futilidade da Rachel, a OCD da Monica, a intelectualidade do Ross e, acima de tudo, a genialidade da Phoebe. Se estão a ter um dia ou uma semana assim-assim, o melhor mesmo é pegar numa manta, café e tratarem-se com uns quantos episódios. Queria escolher um meme que ilustrasse bem este post, mas, com as minhas dificuldades de decisão, tive de escolher aleatoriamente. 

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