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LEONISMOS

LEONISMOS

05
Nov18

Somos o Suficiente


Leonardo Rodrigues

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Existem lugares dentro de nós que queremos fechados. A minha infância e adolescência estão repletas de eventos que se podem rotular de abandono, violência, medo e ódio. Tenho-me cruzado com imensa gente que também, à sua maneira, vivenciou eventos rotulados de forma semelhante. Se permitirem ouvir e falar vão descobrir que somos muitos. Ao final do dia, a aparente normalidade é geralmente a falta dela. É também possível que quem esteja a ler este post se reconheça em eventos destes.  

Estou, porque a vida me convidou, a fazer há vários anos um percurso de auto descoberta, perdão e confiança. Nem sempre falando com alguém. Olhar para os nossos pensamentos no papel, ensinou-me o meu querido amigo Emídio Carvalho - autor do blog A Sombra Humana - , são o nosso melhor aliado -  se os questionarmos, está claro. 

Graças a este Trabalho, sei que encontro no meu dia a dia menos situações em que possa encaixar rótulos outrora familiares. É libertador. Mas, como sabemos, nada é estanque e basta um novo evento tipo terramoto para mexer as areias que afinal são movediças. E quando achávamos que éramos quase o Buda, voltamos a descer à terra. Estou de volta ao trabalho há uns meses. São meses de não querer pensar o que penso nem sentir o que sinto. A nossa cabeça é poderosa ao ponto de fazer esta luta manifestar-se no corpo, germinar ansiedade e noites mal dormidas. 

Abandonei a ideia de ser uma vítima muito cedo, e este é o primeiro passo. Ainda assim, tenho vivido, ouvido e constatado que estes eventos e emoções cravam em nós uma ideia muito elementar, a de que não somos bons o suficiente. Pensem no que vos incomodou mais nas últimas 24 horas, vejam se bem questionado não retomam a esta ideia. Talvez sim, talvez não. 

Há uns dias, no trabalho, uma colega optou por partilhar comigo parte da sua história, e convidou-me a ouvir alguém que tem umas perspetivas interessantes sobre como estar na vida e olhar para o que passou. Chama-se Marisa Peer. Curiosamente, ao contrário de outros autores, ela não resumia a questão no bom e no mau. Mas na suficiência, a nossa. Na simplicidade do inglês, ela convida-nos a reconhecer e a familiarizar-nos com o seguinte: "I AM ENOUGH". 

Além de questionarmos o que surge na nossa cabeça, creio agora que é fundamental dar o passo seguinte,  criando novos percursos no nosso cérebro com informação que talvez não nos foi dada quando éramos mais novos, tal como "eu sou suficiente".

Este post é na verdade um convite a todos a reconhecer isso. Se hoje tivessem acordado com a certeza de que eram suficientes na vida, no trabalho, nas relações, como teria sido o vosso dia? Teriam sido mais simpáticos? Ouviriam mais? Soltariam a veia sarcástica? Sairiam mais? Teriam apresentado a rescisão? Seriam menos possessivos? Compreenderiam melhor? Seriam melhores amigos e namorados?

Não há melhor forma de sermos nós, de nos relacionarmos connosco e com outros do que quando estamos em plena consciência de que não somos nem mais nem menos, mas a dose certa. 

Um vídeo interessante abaixo: 

 

 

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