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LEONISMOS

11 de Maio, 2016

Sergey Lazarev, és de que Rússia?

Leonardo Rodrigues

Bem. Sendo este um blog de uma índole mais pessoal, não costumo pronunciar-me muito relativamente ao que se está a passar na comunicação social. No entanto, qual não foi a minha surpresa quando, hoje, abro uma notícia que dá conta de declarações feitas por Sergey Lazarev, o participante russo na Eurovisão. No seguimento de questões relacionadas com a vida dos homossexuais na Rússia, ouve-se: "são rumores", "podem sentir-se seguros no nosso país". Mentira, o rapaz tem passado demasiado tempo no ginásio. Para além de na Rússia terem sido implementadas leis "anti-propaganda gay" - signifique isto o que significar - , temos, em Portugal, prova viva de que assim não é. Essa prova chama-se Margarita Sharapova, uma escritora russa que pediu asilo político ao nosso país em Janeiro de 2013. O motivo? "A liberdade começou a ser sufocada quando Putin chegou ao poder. A máquina do Estado, lenta mas determinadamente, começou a voltar para trás, a lembrar os tempos soviéticos. Todos os meus livros voltaram a ser proibidos. Qualquer um dos meus contos, histórias, novelas sobre qualquer assunto, passaram a ser rejeitados pelos editores. Nos créditos dos filmes onde eu era argumentista, retiraram o meu nome. Tive vários prémios literários, sou membro a União de Escritores, mas o meu nome já não é possível de encontrar. (...) Eu amei uma mulher. Conhecia-a há muitos anos, desde os meus tempos de juventude no circo. Ela era acrobata. Nós passámos a ter muitos problemas depois de sair uma lei sobre propaganda gay. Uma vez fui atacada junto a um clube gay por um grupo de neonazis que me partiu o nariz. Um dia, após um festival de cinema LGBT, a minha companheira foi espancada pela polícia e pouco depois morreu. (...) Agentes (...) aconselharam-me a sair rapidamente do país porque poderia ser presa por qualquer motivo." Nesta citação de uma entrevista dada ao Expresso fica tudo dito. A situação está tão má que se verifica uma segunda vaga de refugiados LGBT. Aproveito para dizer que a escritora aceitou o meu convite para participar numa entrevista, que deixarei brevemente aqui no blog. Confesso que sigo religiosamente o festival e que o russo estava nos meus favoritos. Contudo, não posso torcer por alguém que mente à imprensa internacional sobre uma temática tão sensível. Chamem-me anti propaganda russa. Em baixo deixo-vos o trailer de um documentário que deixa tudo preto no branco.

 

OLYA'S LOVE from Soleil Film on Vimeo.