Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LEONISMOS

LEONISMOS

23
Fev18

E se eu não tivesse medo? Despedia-me


Leonardo Rodrigues

sunset-summer-golden-hour-paul-filitchkin.jpg

Sempre fui da opinião que quem está mal deve mudar-se. Acontece que é mais fácil manter-se fiel a esta opinião se, claro, não formos a pessoa que se deve mudar. Na semana passada, encerrei um dos capítulos mais longos da minha ainda curta vida profissional. Foram quase dois anos no epicentro de uma grande empresa. 

Não vou dizer que fosse a minha primeira opção, mas foi uma que me senti capaz de fazer. Lembro-me que na entrevista me perguntaram: como é que alguém como tu, que quer fazer isto e aquilo, aqui e ali, se candidata a um trabalho de secretária? Disse-lhes que me sentia capaz e, claro, que precisava. Afinal todos trabalhamos porque precisamos. 

Foi difícil no início, ficou melhor, e voltei a ficar convicto de que estava na altura de mudar, porque me ouvi. Se me perguntasse qual a única esfera da minha vida que não funcionava, que me deixava cabisbaixo, que me diz que não estou a fazer o suficiente, respondia emprego. E se, num emprego, o nosso único desejo é que a folga chegue e que possamos ir de férias outra vez, então é sinal que temos de começar de novo. 

No fim do ano passado, após umas férias maravilhosas, que me fizeram estar próximo de quem sou na verdade, percebi que não podia passar outro ano sem tentar, apenas a remoer que não estava feliz. Como a Oprah certo dia disse: o que é que eu faria se não tivesse medo? Ela terminou um programa de 25 anos que lhe deu tudo e começou um canal de televisão, do zero. 

Já eu, com uma conta bancária diferente, se não tivesse medo, terminava o capítulo que me permitiu criar uma vida e uma família da qual me orgulho. Se não tivesse medo, candidatava-me a empregos que desejava, ia às entrevistas convicto de que ficaria e despedia-me. Assim o fiz. Não ter medo abre muitas portas. 

Estou a começar de novo, sem os benefícios de estar efetivo, sem comida mais acessível, sem café que jorra grátis de uma máquina. Ainda assim, sinto-me mais próximo de uma carreira numa área que nunca pensei que fosse ser minha e só tenho de seguir em frente, com determinação e uma boa dose de curiosidade. 

Com estes dois anos, aprendi assertividade, resiliência - com erros, personalidades difíceis, e especialmente com pessoas que agora são amigos. E, por esse motivo, olho para estes dois anos com muito carinho. Nós não somos carreiras, números de trabalhador, muito menos canudos, mas o que levamos das experiências que nos proporcionamos e que se proporcionam sem querermos. 

 

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Copyrighted.com Registered & Protected 
HMLF-E7YY-MGTC-ZU7E

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D