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LEONISMOS

LEONISMOS

28
Dez17

As bicicletas em Lisboa são Gira(s), e funcionam


Leonardo Rodrigues

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Ouço diversas vezes que Lisboa não é uma cidade para bicicletas. Mas, na realidade, o que nenhuma cidade deve ser é orientada apenas para os carros. Têm de ser dadas opções de qualidade para os seus habitantes escolherem. 

Além das scooters e dos carros partilhados, as bicicletas são uma ótima solução de mobilidade. Para muitos esta solução não será total, mas poderá ser uma valência que permite uma melhor articulação com os transportes públicos.

O projeto Gira peca por ter estado na gaveta durante muito tempo, mas o que importa é que está a despertar o interesse dos lisboetas e de quem nos visita. A aderência é notória e há quem interpele os ciclistas que as usam para perceber como funciona.

Temos de parabenizar a EMEL e a Câmara pela simplicidade do serviço. Necessitamos apenas da aplicação, disponível para iOS e Android, onde será feito o registo e escolha do passe - diário, mensal ou anual. Depois, é só desbloquear a bicicleta com o telemóvel, pedalar e devolver num ponto da rede Gira. 

Se tencionarmos usar este sistema todos os meses, o passe anual (25 euros) é o que faz mais sentido, ficando a pouco mais de 2 euros por mês. Embora nesta fase de teste as viagens até 45 minutos sejam gratuitas, o valor após o mês de março passa a ser de 10 cêntimos para as bicicletas normais e 20 para as elétricas. 

A orografia em diversos pontos onde o projeto Gira foi implementado é amiga das bicicletas normais. Onde ainda não é, existem as elétricas. 

Quanto ao lado negro, posso apontar que além das áreas onde existem ciclovias e sinalização apropriada ainda estarem longe dos objetivos, alguns lisboetas ainda não entranharam. Pelas minhas viagens de teste, foi notório que algumas pessoas só se afastam da ciclovia em último recurso, ignorando a campainha. Há quem ainda se vire para dizer que é por isso que não gosta das bicicletas. O que escrevi antes descreve situações onde continua a haver, no mínimo, dois metros de passeio, além da ciclovia.

Obviamente que nem toda a gente tem esta atitude. Alguns condutores dão prioridade, e o olhar de satisfação e curiosidade é frequente, além de fazerem perguntas como referi anteriormente. Mas há um grande caminho de sensibilização a fazer. 

Mais bicicletas e menos carros, além de contribuir para uma melhor qualidade do ar é benéfico para a nossa saúde física e mental. Quando os exemplos são bons, devemos aderir ao que já foi implementado noutros países. 

Sendo um projeto piloto que aparenta ser um sucesso, só podemos esperar a sua expansão e uma cidade mais amiga das bicicletas. Caso estejam a pensar utilizar este sistema ou uma bicicleta própria, sugiro ainda que consultem o site Lisboa Ciclável da Câmara Municipal de Lisboa, para uma viagem mais cómoda, menos alcatrão e sem o som das campainhas. 

 

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27
Dez17

A minha relação com o alcóol mudou


Leonardo Rodrigues

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Porque quis ser solidário com alguém que estava a deixar uma substância, não há muito tempo, decidi retirar uma que consumisse todos os dias e que influenciasse o meu estado de espírito. Primeiro pensei no café, mas a última vez que tentei foi doloroso, então optei por retirar o vinho ao jantar e, com isso, todo o álcool. 

O que era um ato de solidariedade para com outra pessoa, tornou-se mais do que isso. Apercebi-me de que era estranho ser o único a beber água e sumo, havendo vinho à mesa. Mais, notei no primeiro dia - mau por sinal - , que já não ia aumentar para dois copos de vinho e relaxar no sofá. Tinha de ser interno e não externo. 

Após uma semana já não era assim tão estranho. Passei a acordar com mais energia, já não sentia tanto sono e a minha dor de cabeça que ataca de tarde estava domada. Curiosamente, o meu corpo ficou menos inchado, o meu sono melhor e sou capaz de ter perdido peso.

O maior desafio incidiu na esfera social. Foi estranho dizer que não ia beber. "Como assim não bebes, é o vinho que tu gostas", foi a resposta mais comum. Houve quem se sentisse mal por só me poder oferecer água - das melhores coisas do mundo. Claro que também houve quem se prontificasse a fazer um cocktail sem álcool.

É habitual no nosso círculo, especialmente nos jantares, haver vinho à mesa - na nossa mesa, na do resto da família, na dos amigos. Se tivermos algum evento, as probabilidades de haver vinho são de 100%. Gradualmente, passei a ter o meu copo de vinho ao jantar novamente. É uma linha muito ténue. 

Na imprensa saem sistematicamente notícias de estudos que indicam que não é assim tão mau, vendendo literalmente que é bom para o colesterol, coração e que até previne o cancro. O que essas notícias tendem a ignorar é que a substância chave, o resveratrol, é muito residual no vinho industrial e que a ligação entre o álcool, que é bastante aditivo, e o cancro é considerável. Parece uma certa publicidade que dá a entender que quanto mais daquela gordura em concreto comermos, menos colesterol teremos.

Há uma semana soube que uma prima minha morrera. À semelhança do meu avô e do meu pai, ela durante muitos anos socorreu-se todos os dias do álcool como um escape.

É verdade que 1 ou 2 copos não são uma garrafa, mas eu sei que no fundo também eu depositei, por vezes, neste ritual do fim do dia, a minha recompensa. Por esse motivo, voltei a cessar o consumo. Não porque estou a apoiar ninguém ou por pensar que toda a gente deve deixar de beber, mas porque estou convicto de que é uma opção benéfica.

 

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08
Dez17

Eu fiz massa fresca e acho que também deves


Leonardo Rodrigues

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Eu fiz massa e, como a sorte de principiante também me toca, correu bem à primeira e partilhei no Facebook. Fiz uma segunda vez, correu mal e não partilhei. Como à terceira é mesmo de vez, correu muito bem - talvez com a pressão de servir convidados. Já não tirei fotografia, nem partilhei no Facebook, mas estou agora a partilhar no blog. Mas porquê, Leonardo, podem estar a perguntar.

Porque nunca pensei que algum dia estaria a fazer a minha própria massa. Note-se que a massa que fiz entra na categoria "alimentícia", coze-se com água e sal, e sabia bem. Para mim, antes de perceber o quão comum isto era em Itália, fazer massa fresca era algo que reservava para os chefs e master chefes deste mundo. Os restantes mortais comiam a massa de pacote.

Agora já não. Com farinha, sêmola de trigo, sal, ovos e azeite, a ajuda das mãos e de um rolo da massa, posso escolher fazer a minha massa com a forma que quiser. É fazer mais ou menos como nos primórdios, sentindo e controlando os passos, respeitando o ritmo, além da cozedura. 

É verdade que não estou perto de um chef. Mas, graças a esta pequena grande incursão culinária, a que poucas pessoas se permitem, superei-me. As coisas na lista do que declarei não poder fazer está mais curta. 

 

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07
Dez17

O que saber antes de escolher um rent a car


Leonardo Rodrigues

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A grande aventura de uma road trip noutro país começa no rent a car. Pela primeira vez, tive necessidade de escolher o melhor e comecei por algo que afinal não cumpre o seu propósito, as críticas online. 

Na maioria dos casos, percebe-se uma coisa, tendemos a não ler os termos e condições daquilo que estamos a contratar online. Chegamos ao balcão e parece que querem cobrar o dobro ou reter uma "quantia exorbitante" no cartão de crédito, ou ainda facultar-nos um carro que não escolhemos.

Para começar, escolhemos uma categoria de carro, podendo o rent a car ter vários modelos. Caso no momento da recolha não tenha determinada categoria, o upgrade deve ser gratuito. 

Todos os rent a car, sem exceção, se o site não deixar claro, funcionam da seguinte forma: há necessidade de deixar um depósito/caução. Este valor pode ser descontado e devolvido posteriormente ou, em alternativa, fica apenas bloqueado no cartão de crédito. O depósito é uma segurança para o rent a car, embora também sirva para nos empurrar para o seguro.

No que ao seguro diz respeito, por norma, a proteção média é mais do que suficiente. Para nós, a melhor segurança é o seguro. Caso algo aconteça, já está pago e vamos todos continuar amigos. Por vezes, os seguros podem isentar-nos do pagamento do depósito ou reduzir o mesmo, embora nem sempre se aplique. 

Temos de perceber que os rent a cars, e quem lá trabalha, fazem dinheiro muito graças aos extras que disponibilizam como o GPS ou Wi-Fi. Pensem numa companhia aérea low cost: não vão precisar de tudo o que apresentam e é ok dizer que não.  

Embora pareça mais barato reservar através de um agregador, sendo que os agregadores tendem a vender o seu próprio seguro, recomendo ler as letras pequenas que dizem que possivelmente nos venderão outro seguro no rent a car. Além do seguro do agregador não nos ajudar relativamente ao depósito, o seguro no balcão não tem intermediários, pelo que, com a cobertura certa, à partida não teremos de avançar com o dinheiro.

Podem ainda existir valores extra devido à política de combustível, para pessoas mais novas, com carta há pouco tempo ou que sejam mais velhas. Alguns países podem obrigar a equipamento de inverno, algo que pode também ser vendido à parte. Caso tenhamos cometido alguma infração, especialmente dentro da União Europeia, irá chegar uma carta para que a mesma seja paga ou, dependendo das condições, o rent a car pode cobrar no cartão utilizado para pagamento.

Ao recolher o carro, é recomendado confirmar que os danos pré existentes estão iventariados e tirar fotografias ao carro. 

Recentemente, em Itália, optámos por escolher a Europcar, uma vez que foi a única que além do bom preço, deixava claro quanto seria pago no balcão, já com o seguro e equipamento de inverno, assim como quanto custaria a caução. O processo de recolha e drop off do veículo foi muito suave, sem nada sneaky. 

Para quem viaja com um budget, não podem haver surpresas e escolher bem é determinante para um saldo positivo.

 

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05
Dez17

Airbnb e o futuro do turismo de aplicação


Leonardo Rodrigues

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Estou perfeitamente ciente dos aspetos negativos, mas nunca precisámos tanto do Airbnb como este ano. Tal como os hotéis, há de todos os gostos e feitios. Pode ser um quarto, um apartamento ou um palácio, com apenas um twist: conseguimos ter mais por um valor inferior. 

É mais conveniente ter uma casa emprestada, com tudo o que precisamos para uma estadia confortável e personalizada. Além de podermos cozinhar, o que pode ajudar a reduzir as despesas de viagem, muitos sítios já incluem o pequeno almoço. 

É uma plataforma que funciona, totalmente orientada para os futuros hóspedes. Os pagamentos são realizados na íntegra dentro da mesma, pelo que em caso de algo menos lícito o nosso dinheiro fica salvaguardado. Algo que me parece fundamental, ao contrário de sites como o Booking - que também utilizamos - , que apenas destacam a parte positiva dos comentários, o Airbnb mostra o comentário por inteiro de quem lá ficou. Só comenta quem utilizou, depois da estadia e pagamento.

Os anfitriões também podem dar feedback sobre as pessoas que hospedam, construindo-se uma verdadeira comunidade que permite transformar este serviço em algo mais seguro. Ficamos todos, desta forma, a saber com o que contar. 

A meu ver, nas terras mais reconditas, partilhar a casa que não é utilizada ou a casa de férias, com este turismo de aplicação, é praticamente inócuo e até serve como dinamizador da economia local.

Para entrarmos nos aspetos negativos, temos de nos debruçar nas grandes cidades ou naquelas que, por diversos fatores, sabemos que serão turisticamente apetecíveis. Aqui é que a porca torce o rabo: os senhorios escolhem progressivamente fazer numa semana o que fariam num mês, o que é lógico. Os turistas - até nós quando o somos - , preferirem o Airbnb também é compreensível.

Aqui começa o problema da habitação e dos transportes. Mas, como grande parte dos problemas, só existe enquanto quem pode não investe e legisla. É por isso que as soluções encontradas nos países a norte, que passam pelo mesmo, se tornam interessantes. Em certas zonas proíbe-se o arrendamento de curta duração, sem que a porca torça o rabo. Além de impostos, este tipo de alojamentos passam a incluir uma taxa turística superior no valor.

O ruído não deveria ser um argumento válido, é uma questão de civismo. Todos os Airbnb's que utilizámos este ano, localizados em prédios, proibiam festas. As cidades, novamente, não podem é ser tão brandas a lidar com o ruído. E, sim, Portugal e Lisboa são brandos a lidar com o ruído provocado tanto pelos vizinhos, como estabelecimentos e clientes. 

Quanto à destruição do setor hoteleiro, isso sabemos que não é bem assim, basta olharmos para a taxa de ocupação. Mais, alguns hotéis e hostels também disponibilizam os seus quartos na plataforma. Paralelamente, o Airbnb tem fomentado a criação de algumas empresas que fazem a gestão deste tipo de alojamentos.

A aplicação existe desde 2008, mas ainda não foi feito que chegue para permitir uma convivência saudável entre anfitriões, habitantes e turistas. Soubémos ontem de um acordo inédito entre o Airbnb e o Turismo de Portugal que visa pôr termo ao que não for legal. É um excelente passo em direção ao futuro, mas ainda vamos caminhar muito até lá, com ou sem vontade. 

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