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LEONISMOS

LEONISMOS

25
Abr15

E um 25 de abril pelos touros?


Leonardo Rodrigues

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Nos últimos dias, como muitos de vós devem ter visto, um vídeo feito pelo Nuno Markl e pelo Ricardo Araújo Pereira gerou uma certa polémica nas redes sociais, e com polémica quero dizer ameaças de morte e afins.

 

Não, nenhum deles ameaçou nada, nem ninguém. Pelo contrário, apelavam a que duas petições fossem assinadas, uma para que se parasse de canalizar dinheiros públicos para as touradas - "é capaz de haver duas ou três prioridades" - e outra para que crianças não assistam nem participem nas touradas, "é capaz de ser cedo", diz-nos Ricardo. Parece-me razóavel. 

Tradicionalmente isto é uma heresia. 

Tradicionalmente também já se separou negros dos brancos, já se escravizou e já se queimou com vida muito boa gente. Tradicionalmente ainda se apedreja até a morte - mais mulheres do que homens - quase porque simplesmente apetece, ainda se mata porque existem pessoas com ideias e preferências diferentes, ainda se olha de lado.

Se o que escrevi acima não parecer nada de muito civilizado é porque não é. Matar pouco tem de civilizado. 

Não há muito tempo uma veterinária nos Estados Unidos meteu um espeto num gato e foi despedida, em Portugal talvez ganhasse um reality show. Ou talvez não porque um gato é diferente dum touro. Deus fez o touro para espetar e o gato para animal doméstico. Às vezes esqueço-me disto, tantos são os ensinamentos da sociedade.

Deixo-vos um touro num registo diferente:

Nem tudo o que está enraizado na cultura é bom. Se algo envolve violência, raiva, dor, sangue, talvez seja dispensável, por mais apelativo que possa parecer a alguém. Só se evolui quando se rompe com o estabelecido. 

Hoje celebra-se isso mesmo, a rotura com o Antigo Regime. Se podemos dizer e fazer o que nos apetece, desde, claro, que respeitemos a liberdade do outro, devemos a esta rotura, aos corajosos que foram contra a barbaridade estabelecida. Tal como os mais que muitos portugueses que foram forçados a combater no Ultramar, o touro, se tivesse liberdade, com certeza que sairia "a salto". É preciso que hajam ainda mais corajosos por eles e não contra eles.

E um 25 de abril pelos touros? Talvez não, porque feriados também já quase não temos, mas podem assinar o que está em baixo: 

http://www.enterrartouradas.org (petição em causa no vídeo) 

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=010basta

 

 

 

24
Abr15

30


Leonardo Rodrigues

 

Fonte: U.S. Antarctic Program Photo Library

 

Trinta foram os minutos que disse que iria escrever por dia, não a mim, mas a quem perguntou.

Uma alma caridosa gravou-me um áudio que dizia "Escreve meia hora Leonardo", três vezes, e ouvia-se também um piano.

Esta noite voltei a ouvir o piano, mas em imagens.

Bastaram-me trinta segundos de um documentário sobre a Antártida (Antarctica: A Year on Ice) para saber que a dada altura da minha vida quero afastar-me de tudo, experimentar silêncio, solidão, paz de forma absoluta – mesmo que por um dia.

É pouco provável que me deixem experimentar estes clichés todos lá. Ainda assim, há algo a passar-se por aquelas terras geladas que não acontece em mais lado nenhum, que eu nem sabia que o homem é capaz de fazer: NÃO INTERFERIR.

Isto do não interferir não vem de uma passividade mórbida, mas de um respeito absoluto pela natureza e pelo que é. Lá deixam que as coisas tomem o seu curso. Uma das imagens que mais me chocou foi ver uma foca que se desviou do caminho morrer. Se não estivessem a observar, as coisas iriam processar-se exatamente da mesma maneira. A foca iria perder-se, morrer, congelar, descongelar e servir de alimento a uma ave qualquer.

Naquela morte vi uma certa beleza, sabia que não fazia mal, é o que é suposto acontecer e, garantidamente, vai acontecer com tudo e todos.

No mundinho em que vivemos interfere-se. Cortam-se milhões de árvores que estão ali porque sim e plantam-se algumas para ladear as avenidas que impermiabilizaram quilometros de terra. Pegam-se em animais inocentes, alimentamos com comida geneticamente modificada e depois matamos. Deus nos livre  de deixar uma cadeia de fast-food abrir falência.

Não me apetece dar mais exemplos, mas tal como me disse muitas vezes a minha mãe, "às vezes mais vale tar quiete".

Se têm mais de 30 ou não, não importa, estarão sempre em idade de se manterem quietos e observarem.

Podem, quiçá, só precisar de 30 segundos.

 

Fica aqui o trailer do documentário para quem quiser ver:

 

 

22
Abr15

Finalmente!


Leonardo Rodrigues

Pronto, é desta.

Há já 3 anos que digo que vou começar um blog, para falar disto e daquilo, entrevistar Aquele e Aquela, com as intenções mais nobres do que as do papa e mudar qualquer coisa. Nunca o fiz. Dava muito trabalho.

Não tinha tempo, ora era o estudar para a frequência - para a qual acabei por não estudar nem comparecer - , ora era ver a Oprah a entrevistar as Kardashians - que afinal também são Jenner. Tive também a oportunidade de ver 3 vezes as 10 temporadas de Friends - os episódios eram curtos e iriam permitir-me ser produtivo mais rapidamente, dar o empurrãozinho que o português que sou precisa, acreditei eu. Na véspera de algo de importante lembrei-me de ficar uma noite a ler sobre procrastinação crónica, a minha hipocondria prontamente me diagnosticou com essa patologia. 

Talvez isto tudo seja porque não tenho nada para dizer, talvez não tenha boas intenções nenhumas ou se calhar porque não vou mudar nada. Não sei.

Ainda tenho muito que aprender ou desaprender, não tive tempo para decidir, mas quando cá passarem vão ter que levar com aquilo a que pretensiosamente chamei de Leonismos. Se não escrever mais nada é porque esta não é uma boa ideologia, voltem a ser católicos capitalistas. 

 

 

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