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LEONISMOS

LEONISMOS

31
Jan18

Etiqueta de supermercado: "Deixei aqui o meu carrinho"


Leonardo Rodrigues

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Ir ao supermercado e andar de transportes públicos em Lisboa é uma maravilhosa experiência sociológica. A última aconteceu ontem.

Chegou, na prática e na teoria, a minha vez de colocar as coisas no tapete, sendo que não havia alguém à minha frente - apenas um carrinho que cuidadosamente afastei depois de olhar à volta. Após preencher o tapete, sou abordado por um iluminado de cabelo lambido e polo da Tommy Hilfiger, ao telefone. Com uma cara muito pouco convidativa, diz-me: "Estava aqui um carrinho, deixei aqui o meu carrinho".

Pois estava, um carrinho abandonado e uma fila que não dava a volta ao supermercado por sorte. Respondi-lhe prontamente "Um carrinho não é uma pessoa, e você não estava, mas por gentileza deixo-o passar". A criatura não agradeceu e ainda empurrou o início do que ia comprar. 

Deixar um carrinho abandonado não é uma ideia funcional. Vamos supor, exagerando, que estão 100 pessoas dentro do supermercado e duas caixas abertas. São 50 carrinhos para cada caixa. Será que é prático deixarmos lá os carrinhos à espera, sendo que toda a gente tem velocidades e quantidades diferentes para comprar? Será que é justo o carrinho dar tanta prioridade como uma idade avançada? Não é.

Trata-se apenas de ter o bom senso de ir para uma caixa quando já acabámos as compras. Como se diz em bom português, na Madeira: quem foi a São Martinho perdeu o seu cantinho.

Ontem tinha tempo, e o madeirense que há em mim não veio cá para fora. E, na realidade, só tenho de educar a minha cadela. Não me custou muito respirar fundo, enquanto observei alguém que se acha dono do mundo a comprar uma seleção de artigos cuidadosamente escolhidos pelo seu alto teor de açúcar.

24
Jan18

Visitar Milão num dia - ideias sobre o que saber, ver e fazer


Leonardo Rodrigues

6772611083_773f3c44f6_b.jpgFoto: "Milan from above" by Suvodeb Banerjee is licensed under the CC BY 2.0

Porque a vida assim decidiu, após muitos anos de espera, finalmente aterrei na terra que tem a forma de uma bota. Com um plano muito ambicioso, a primeira paragem foi Milão, a cidade que nunca esteve na lista. 

No comboio com muito bom ar, e que parte do aeroporto de Malpensa sempre pontual, ficamos com a garantia que não nos aproximamos de uma cidade qualquer. 

Como os turistas devem saber antes de lá chegar, a paragem de metro onde querem sair para começar a visita, graças à sua principal atração, apelida-se de Duomo, com a saída para a Piazza del Duomo. 

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Sei que as opções são variadas, mas acredito que primeiro devem atravessar a Galleria Vittorio Emanule II. 

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Existe, mais ou menos a meio, um touro no chão. Reza, de boca em boca, que devemos pisar os testículos do touro com o calcanhar e rodopiar duas vezes, se quisermos a boa sorte. Mesmo contra estas tradições, não querendo perturbar nenhum deus romano, lá o fizemos - depois dos 3 grupos de turistas chineses antes de nós.  

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Depois de passarem por pizzarias, Prada e companhia, poderão chegar à praça onde a estátua representa ninguém menos do que o Leonardo da Vinci. Claro que foi oportuno fotografar alguém tão ilustre, com quem partilho o nome. 

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À vossa esquerda, estará o majestoso Teatro alla Scala, uma paragem obrigatória. Porque Itália às vezes recebe bem os estrangeiros à primeira visita, conseguimos assistir ao ensaio de uma ópera que ainda não está em exibição. Não é falácia dizer que vimos uma ópera no Scala. Após as 13 horas, o ensaio termina, as luzes acendem-se e passa a ser permitido fotografar. Depois de andarem por entre os vestidos luxuosos de Maria Callas e bustos de vultos da grandiosidade de outros tempos, aproveitem para passar na loja do museu e comprar boa música a preço de feira. Como Callas outrora disse, "La Scala é tutto". Tudo.

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É altura de seguir até à Catedral e, claro, subir o Duomo - se não quiserem pagar extra para ir de elevador - de forma a terem a melhor vista da cidade. Nesta Catedral gótica irão espantar-se com a sua grandiosidade, dos mármores às pinturas, mas há algo que não deixa ninguém indiferente, a escultura de São Bartolomeu, que foi esfolado vivo. 

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Quando se está a conhecer a cidade, a vontade de ficar parado num restaurante é pouca. Se em Istambul podem comprar milho na rua, em Milão podem comprar massa fresca, sandes e pizzas al taglio. Optei pela massa fresca com pesto para o almoço.

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Ainda no tópico de coisas boas para o palato, dizem que os melhores gelados de Milão estão na Gelateria Solferino, uma gelataria passada para os filhos quando o dono chegou aos 80 - foi mais ou menos isso que lêmos na revista da easyJet. Testámos apenas 4 das 200 variedades e confirma-se, pelo menos em Milão não há melhor a 2,5 euros. A escolha mais ousada recai no gelado de rum. 

Antes de darem o dia por encerrado, passem na igreja Basilica San Vittore al Corpo, que é ofuscada pelo Museu da Ciência da tecnologia "Leonardo da Vinci". Se as voluntárias estiverem de bom humor, é possível visitar o túmulo do imperador Teodósio, e o presbitério - área de acesso interdito. Perguntar o porquê de haver pouca luz e mostrarem-se completamente deslumbrados com a igreja - o que não é difícil - pode ajudar. 

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À noite, depois de caminhar na agitação da cidade, se optarem por não ir à ópera, nada melhor do que apanhar um elétrico para fazer uma visita aos canais que ainda restam na cidade. Estão ladeados por restaurantes e bares, uns mais conceptuais do que outros, e é aqui que a noite vive. 

Para quem tiver mais tempo, há uma paragem obrigatória, por guardar uma obra prima de Leonardo Da Vinci. É a Igreja Santa Maria delle Grazie, que guarda A Última Ceia. Mas, como só entram grupos de 15 numa sala que é desumidificada a cada visita, só conseguirão garantir o lugar reservando semanas antes.

Na impossibilidade dessa visita, deixem-se perder nas ruas imponentes da cidade, e deslumbrem-se nas montras do Distrito da Moda, já que pagar o que lá está não é para todos os bolsos. A minha maior extravagância em Milão foi mesmo comprar cadernos na Moleskine, onde existem em todas as cores e feitios. 

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Há sempre alguma coisa para fazer nesta cidade cosmopolita, quer seja ir jantar ao novo sítio da moda, quer seja um concerto ou uma exposição. No Palazzo Reale, que fica quase ao lado da Catedral, visitámos uma exposição única do incompreendido Caravaggio, um misto entre genial e mórbido. Algures no centro existia uma exposição do aclamado fotógrafo Sebastião Salgado. 

As possibilidades onde vão querer estar são quase infinitas. É um mito quando se diz que Milão é aborrecida. Está é uma cidade onde tudo e todos se encontram. 

 

18
Jan18

Como funcionam as companhias aéreas low cost?


Leonardo Rodrigues

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Há quem se pergunte como é que uma companhia aérea low cost tem lucro, especialmente quando uma ida a Milão de avião fica mais barata do que, por exemplo, uma viagem de comboio de Lisboa a Braga. Fui descobrir os meandros das viagens baratas, uma das maravilhas dos tempos modernos, e podem ficar descansados. Se a coisa for bem feita, por vezes, até conseguem fazer mais dinheiro que uma companhia aérea normal. 

Os bilhetes são vendidos sem tudo o que é acessório e, pelo valor do bilhete, estamos apenas a pagar o essencial, a viagem do ponto A ao ponto B. Bagagem, se for necessário, e escolha dos lugares, pagam-se separadamente. No fundo, os bilhetes acabam por ser feitos à medida, de acordo com as necessidades. Depois, vende-se comida, perfumes, brinquedos e gadjets a bordo, que ajudam a rentabilizar os voos. E esta é a parte superficial.

Há muito mais por detrás desta possibilidade de viajar mais barato, e tem que ver com a redução de custos ou otimização da operação. No valor do bilhete, está também o valor da aeronave, taxas aeroportuárias, combustível e, claro, staff.

As companhias aéreas low cost têm, por norma, uma frota com menos de metade da idade das restantes, 5 anos em vez de 12. Conseguem comprá-los mais baratos, não porque compram em segunda mão, mas sim porque fazem encomendas tão grandes do mesmo modelo que têm um desconto formidável. Uma frota mais recente, significa maior eficiência de combustível, uma das maiores despesas das companhias. A última vantagem em usar 1 ou 2 modelos de avião está no custos de formação, sendo que é mais rápido, e low cost, treinar com apenas 1 tipo de aeronave. 

Por último, como já devem ter imaginado, o motivo para utilizarem aeroportos tão longe, terminais mais modestos ou autocarros e escadas - em vez de mangas - , é o menor valor cobrado pelo aeroporto à companhia. Além disso, sendo que existe menos tráfego, ganham tempo, permitindo ainda mais voos e menos atrasos. Feitas as contas, os aviões só estão a ser rentabilizados se estiverem no ar. 

Para nós, passageiros, as vantagens de viajar com companhias como a easyJet e a Ryanair são mais do que muitas. Pelas leis do mercado, as outras companhias não têm remédio senão arranjar formas de competir. Além disso, temos a possibilidade de visitar o mundo por menos, em aviões mais novos, e, quando é o caso, fazer compras inteligentes a bordo. 

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12
Jan18

O aconchego do inverno


Leonardo Rodrigues

Já vivi e passei por muitos sítios e é sempre igual. Para mim, os melhores dias são aqueles em que fora das quatro paredes é dia de intempérie. Tudo se cala, as pessoas que vagueiam de noite, os fãs das conversas intermináveis à porta dos restaurantes e os carros que deixam de ter um sítio para ir. Há um conforto em estar em casa, nas mantas, sentir os cheiros das bebidas quentes. Melhor ainda é adormecer assim, apenas com os sons da natureza, que está mais ou menos furiosa, com uma sensação inexplicável de proteção. Não existe mais nada, quem está connosco, a nossa casa, e os sons de tudo o que a natureza pode estar a fazer lá fora. A chuva a molhar tudo o que encontra, o vento a mudar o que pode de lugar.

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07
Jan18

"Fare il portoghese" - quem são os portugueses para os italianos?


Leonardo Rodrigues

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Há quem tenha chegado a Itália e tivesse lido num jornal "x portugueses assistaram ao jogo y". Infelizmente não estão propriamente a falar dos portugueses de Portugal, mas sim de quem assistiu ao jogo e não pagou bilhete. 

Existem várias versões para este fenómeno, mas vou aceitar a que me contou o segurança do Teatro alla Scala. Reza a História que em meados do século XVIII, o Papa declarou que os portugueses não teriam de pagar para entrar num espetáculo realizado no Teatro Argentina, em sinal de agradecimento ao nosso reino pelo envio de jóias e outras riquezas provenientes do Brasil.

A notícia não demorou a espalhar-se, e os romanos, como sabiam que tinham apenas de indicar a nacionalidade, fizeram-se passar por portugueses para não pagar. O resultado disto é a expressão "fare il portoghese", ou seja, passar por português. Hoje a expressão persiste, mas como o sentido da mesma perdeu-se, é frequente pensar-se que são os portugueses que não querem pagar nada. 

Toda a gente sabe que isto não é verdade, teremos todo o gosto em pagar desde que esteja em promoção. 

 

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06
Jan18

Os veganos, vegetarianos e fãs dos biológicos dão os parabéns ao Aldi


Leonardo Rodrigues

Há muito que no regresso do trabalho olhava para o Aldi e, ainda há mais tempo, ouvia as coisas maravilhosas que o mesmo tem para os vegetarianos, a preços acessíveis. 

Como a minha alimentação assenta muito em hortaliças,  leguminosas, frutas e cereais, que confeciono de diferentes formas, muitas vezes transformando por completo o alimento, acabo por comprar tofu, invenções com a soja, entre outras coisas, muito pontualmente.

Sim, um dos fatores pelo qual opto por fazer as coisas de raiz tem que ver com o preço do produto transformado e rotulado como "saudável", biológico, etc. Geralmente o pensamento é, se podes fazer por 1/4 do preço, porque vais pagar muito mais? É por isso que me perco, por exemplo, a fazer hambúrgueres de grão

A gigante alemã está a preencher esta lacuna, com o lançamento de diversas gamas de produtos veganos e vegetarianos, assim como biológicos, aproximando os preços de artigos sem este selo. Das almôndegas ao creme de barrar, do pão à bebida de espelta. Até uma versão vegetal do fiambre existe. Ótimos artigos que não mexem muito na fatura.

Tudo indica que, à semelhança de outros países, esta gama seja para expandir. A justificação: "porque pediram". Os números indicam que houve um incremento de 400%, em 10 anos, de vegetarianos em Portugal, algo que certamente será tido em conta. 

Aqui está parte da remessa, com selo vegan ou vegetariano, de ontem:

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01
Jan18

2017, o ano em que aconteceu quase tudo


Leonardo Rodrigues

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Nunca me fez tanto sentido avaliar o ano anterior, sem remorsos pelo que fiz e não fiz, apenas com muita gratidão pelo que aconteceu. No início de 2017 decidi que queria fazer mais, em todas as esferas da minha vida, e creio que cumpri, muitas vezes por mero acaso. Vários sonhos que tinha na gaveta materializaram-se, outros, como faz parte das condições da vida, continuam à espera da sua vez.

Pela primeira vez, o que se encontra mais presente foi o que correu bem. Se por um lado estou mais paciente, a não reagir de imediato às coisas, por outro estou mais transparente e mais convicto quando penso diferente, com uma frontalidade renovada. Em bom português, aprendi também a aceitar que os bois vão andar sempre à frente da carroça, mas que isto não implica que o nosso tempo não seja ouro.

Entre muitos acontecimentos, há um que mudou todos os dias seguintes. Dei oficialmente o passo de me mudar com alguém que cumpre todos os requisitos da lista que cheguei a escrever outrora: bondade, inteligência, partilha, companheirismo, beleza e sentido de humor. Em parte, ele é o responsável pelo incremento de serotonina, que me ajuda a não desistir. Deixei de ter medo de dizer amo-te, com conta peso e medida, e creio ter aprendido a domar a ciumeira que sempre me foi caraterística. 

Pouco tempo depois, adotámos a Dóris, por via de um salvamento digno de um filme do James Bond. Finalmente, esta cadela que muito sofreu tem um lar que a acolhe e providencia tudo o que precisa. Escusado será dizer que ela ajudou a sedimentar a família que estamos a construir. 

Após dois anos, foi também altura de regressar à Madeira, a minha terra, com um membro novo na família. Percebi que estávamos todos diferentes, restando apenas o carinho que sempre nutrimos uns pelos outros, e pela própria terra. Foi a primeira vez que senti que podia ficar mais tempo.

Conhecer foi a palavra de ordem, cá dentro e lá fora. No norte lusitano vi nevar pela primeira vez. Tive a oportunidade de viajar para para 3 outros países. Itália, dono da abençoada Toscana; Grécia, o berço da Civilização; e Turquia, para andar no limbo da Euroásia

Seja ridículo ou não, ir a Itália e sentir a Toscana, algo que queria fazer desde os meus 13 anos, confirmou-me que tudo é possível, que daqui para a frente as coisas só poderão ser melhores, venha o que vier. Foi também importante para perceber que tenho de me respeitar mais e fazer o que me faz feliz, sem me acomodar. 

Nada nos chega do nada. As relações, as viagens, a paz de espírito, requerem trabalho e não só daquele que assegura uma transferência para a nossa conta todos os meses. 

Este ano, também foi o melhor período para este blog, que conseguiu, dentro e fora da comunidade Sapo gerar mais de 100 000 visualizações. Muitas pessoas contentes, outras chateadas, mas o saldo é positivo. O blog além de volta e meia me dar uns presentes, novamente, trouxe pessoas encantadoras para a minha vida. Poder fazer chegar experiências, e tudo o que escrever os meus Leonismos implica, a tanta gente é um privilégio.

Ao passar para 2018 comi as 12 passas, como manda a tradição. Mas, como desejo pedi apenas 1, que fique tudo bem, comigo e com os outros - implique isto o que implicar. Sem a pressão de falhar mil objetivos, mas com o intuito de fazer melhor. 

 

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28
Dez17

As bicicletas em Lisboa são Gira(s), e funcionam


Leonardo Rodrigues

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Ouço diversas vezes que Lisboa não é uma cidade para bicicletas. Mas, na realidade, o que nenhuma cidade deve ser é orientada apenas para os carros. Têm de ser dadas opções de qualidade para os seus habitantes escolherem. 

Além das scooters e dos carros partilhados, as bicicletas são uma ótima solução de mobilidade. Para muitos esta solução não será total, mas poderá ser uma valência que permite uma melhor articulação com os transportes públicos.

O projeto Gira peca por ter estado na gaveta durante muito tempo, mas o que importa é que está a despertar o interesse dos lisboetas e de quem nos visita. A aderência é notória e há quem interpele os ciclistas que as usam para perceber como funciona.

Temos de parabenizar a EMEL e a Câmara pela simplicidade do serviço. Necessitamos apenas da aplicação, disponível para iOS e Android, onde será feito o registo e escolha do passe - diário, mensal ou anual. Depois, é só desbloquear a bicicleta com o telemóvel, pedalar e devolver num ponto da rede Gira. 

Se tencionarmos usar este sistema todos os meses, o passe anual (25 euros) é o que faz mais sentido, ficando a pouco mais de 2 euros por mês. Embora nesta fase de teste as viagens até 45 minutos sejam gratuitas, o valor após o mês de março passa a ser de 10 cêntimos para as bicicletas normais e 20 para as elétricas. 

A orografia em diversos pontos onde o projeto Gira foi implementado é amiga das bicicletas normais. Onde ainda não é, existem as elétricas. 

Quanto ao lado negro, posso apontar que além das áreas onde existem ciclovias e sinalização apropriada ainda estarem longe dos objetivos, alguns lisboetas ainda não entranharam. Pelas minhas viagens de teste, foi notório que algumas pessoas só se afastam da ciclovia em último recurso, ignorando a campainha. Há quem ainda se vire para dizer que é por isso que não gosta das bicicletas. O que escrevi antes descreve situações onde continua a haver, no mínimo, dois metros de passeio, além da ciclovia.

Obviamente que nem toda a gente tem esta atitude. Alguns condutores dão prioridade, e o olhar de satisfação e curiosidade é frequente, além de fazerem perguntas como referi anteriormente. Mas há um grande caminho de sensibilização a fazer. 

Mais bicicletas e menos carros, além de contribuir para uma melhor qualidade do ar é benéfico para a nossa saúde física e mental. Quando os exemplos são bons, devemos aderir ao que já foi implementado noutros países. 

Sendo um projeto piloto que aparenta ser um sucesso, só podemos esperar a sua expansão e uma cidade mais amiga das bicicletas. Caso estejam a pensar utilizar este sistema ou uma bicicleta própria, sugiro ainda que consultem o site Lisboa Ciclável da Câmara Municipal de Lisboa, para uma viagem mais cómoda, menos alcatrão e sem o som das campainhas. 

 

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27
Dez17

A minha relação com o alcóol mudou


Leonardo Rodrigues

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Porque quis ser solidário com alguém que estava a deixar uma substância, não há muito tempo, decidi retirar uma que consumisse todos os dias e que influenciasse o meu estado de espírito. Primeiro pensei no café, mas a última vez que tentei foi doloroso, então optei por retirar o vinho ao jantar e, com isso, todo o álcool. 

O que era um ato de solidariedade para com outra pessoa, tornou-se mais do que isso. Apercebi-me de que era estranho ser o único a beber água e sumo, havendo vinho à mesa. Mais, notei no primeiro dia - mau por sinal - , que já não ia aumentar para dois copos de vinho e relaxar no sofá. Tinha de ser interno e não externo. 

Após uma semana já não era assim tão estranho. Passei a acordar com mais energia, já não sentia tanto sono e a minha dor de cabeça que ataca de tarde estava domada. Curiosamente, o meu corpo ficou menos inchado, o meu sono melhor e sou capaz de ter perdido peso.

O maior desafio incidiu na esfera social. Foi estranho dizer que não ia beber. "Como assim não bebes, é o vinho que tu gostas", foi a resposta mais comum. Houve quem se sentisse mal por só me poder oferecer água - das melhores coisas do mundo. Claro que também houve quem se prontificasse a fazer um cocktail sem álcool.

É habitual no nosso círculo, especialmente nos jantares, haver vinho à mesa - na nossa mesa, na do resto da família, na dos amigos. Se tivermos algum evento, as probabilidades de haver vinho são de 100%. Gradualmente, passei a ter o meu copo de vinho ao jantar novamente. É uma linha muito ténue. 

Na imprensa saem sistematicamente notícias de estudos que indicam que não é assim tão mau, vendendo literalmente que é bom para o colesterol, coração e que até previne o cancro. O que essas notícias tendem a ignorar é que a substância chave, o resveratrol, é muito residual no vinho industrial e que a ligação entre o álcool, que é bastante aditivo, e o cancro é considerável. Parece uma certa publicidade que dá a entender que quanto mais daquela gordura em concreto comermos, menos colesterol teremos.

Há uma semana soube que uma prima minha morrera. À semelhança do meu avô e do meu pai, ela durante muitos anos socorreu-se todos os dias do álcool como um escape.

É verdade que 1 ou 2 copos não são uma garrafa, mas eu sei que no fundo também eu depositei, por vezes, neste ritual do fim do dia, a minha recompensa. Por esse motivo, voltei a cessar o consumo. Não porque estou a apoiar ninguém ou por pensar que toda a gente deve deixar de beber, mas porque estou convicto de que é uma opção benéfica.

 

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08
Dez17

Eu fiz massa fresca e acho que também deves


Leonardo Rodrigues

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Eu fiz massa e, como a sorte de principiante também me toca, correu bem à primeira e partilhei no Facebook. Fiz uma segunda vez, correu mal e não partilhei. Como à terceira é mesmo de vez, correu muito bem - talvez com a pressão de servir convidados. Já não tirei fotografia, nem partilhei no Facebook, mas estou agora a partilhar no blog. Mas porquê, Leonardo, podem estar a perguntar.

Porque nunca pensei que algum dia estaria a fazer a minha própria massa. Note-se que a massa que fiz entra na categoria "alimentícia", coze-se com água e sal, e sabia bem. Para mim, antes de perceber o quão comum isto era em Itália, fazer massa fresca era algo que reservava para os chefs e master chefes deste mundo. Os restantes mortais comiam a massa de pacote.

Agora já não. Com farinha, sêmola de trigo, sal, ovos e azeite, a ajuda das mãos e de um rolo da massa, posso escolher fazer a minha massa com a forma que quiser. É fazer mais ou menos como nos primórdios, sentindo e controlando os passos, respeitando o ritmo, além da cozedura. 

É verdade que não estou perto de um chef. Mas, graças a esta pequena grande incursão culinária, a que poucas pessoas se permitem, superei-me. As coisas na lista do que declarei não poder fazer está mais curta. 

 

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