Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

LEONISMOS

LEONISMOS

08
Dez17

Eu fiz massa fresca e acho que também deves


Leonardo Rodrigues

pexels-photo-262905.jpeg

Eu fiz massa e, como a sorte de principiante também me toca, correu bem à primeira e partilhei no Facebook. Fiz uma segunda vez, correu mal e não partilhei. Como à terceira é mesmo de vez, correu muito bem - talvez com a pressão de servir convidados. Já não tirei fotografia, nem partilhei no Facebook, mas estou agora a partilhar no blog. Mas porquê, Leonardo, podem estar a perguntar.

Porque nunca pensei que algum dia estaria a fazer a minha própria massa. Note-se que a massa que fiz entra na categoria "alimentícia", coze-se com água e sal, e sabia bem. Para mim, antes de perceber o quão comum isto era em Itália, fazer massa fresca era algo que reservava para os chefs e master chefes deste mundo. Os restantes mortais comiam a massa de pacote.

Agora já não. Com farinha, sêmola de trigo, sal, ovos e azeite, a ajuda das mãos e de um rolo da massa, posso escolher fazer a minha massa com a forma que quiser. É fazer mais ou menos como nos primórdios, sentindo e controlando os passos, respeitando o ritmo, além da cozedura. 

É verdade que não estou perto de um chef. Mas, graças a esta pequena grande incursão culinária, a que poucas pessoas se permitem, superei-me. As coisas na lista do que declarei não poder fazer está mais curta. 

 

 

 

07
Dez17

O que saber antes de escolher um rent a car


Leonardo Rodrigues

autos-technology-vw-multi-storey-car-park-63294.jp

A grande aventura de uma road trip noutro país começa no rent a car. Pela primeira vez, tive necessidade de escolher o melhor e comecei por algo que afinal não cumpre o seu propósito, as críticas online. 

Na maioria dos casos, percebe-se uma coisa, tendemos a não ler os termos e condições daquilo que estamos a contratar online. Chegamos ao balcão e parece que querem cobrar o dobro ou reter uma "quantia exorbitante" no cartão de crédito, ou ainda facultar-nos um carro que não escolhemos.

Para começar, escolhemos uma categoria de carro, podendo o rent a car ter vários modelos. Caso no momento da recolha não tenha determinada categoria, o upgrade deve ser gratuito. 

Todos os rent a car, sem exceção, se o site não deixar claro, funcionam da seguinte forma: há necessidade de deixar um depósito/caução. Este valor pode ser descontado e devolvido posteriormente ou, em alternativa, fica apenas bloqueado no cartão de crédito. O depósito é uma segurança para o rent a car, embora também sirva para nos empurrar para o seguro.

No que ao seguro diz respeito, por norma, a proteção média é mais do que suficiente. Para nós, a melhor segurança é o seguro. Caso algo aconteça, já está pago e vamos todos continuar amigos. Por vezes, os seguros podem isentar-nos do pagamento do depósito ou reduzir o mesmo, embora nem sempre se aplique. 

Temos de perceber que os rent a cars, e quem lá trabalha, fazem dinheiro muito graças aos extras que disponibilizam como o GPS ou Wi-Fi. Pensem numa companhia aérea low cost: não vão precisar de tudo o que apresentam e é ok dizer que não.  

Embora pareça mais barato reservar através de um agregador, sendo que os agregadores tendem a vender o seu próprio seguro, recomendo ler as letras pequenas que dizem que possivelmente nos venderão outro seguro no rent a car. Além do seguro do agregador não nos ajudar relativamente ao depósito, o seguro no balcão não tem intermediários, pelo que, com a cobertura certa, à partida não teremos de avançar com o dinheiro.

Podem ainda existir valores extra devido à política de combustível, para pessoas mais novas, com carta há pouco tempo ou que sejam mais velhas. Alguns países podem obrigar a equipamento de inverno, algo que pode também ser vendido à parte. Caso tenhamos cometido alguma infração, especialmente dentro da União Europeia, irá chegar uma carta para que a mesma seja paga ou, dependendo das condições, o rent a car pode cobrar no cartão utilizado para pagamento.

Ao recolher o carro, é recomendado confirmar que os danos pré existentes estão iventariados e tirar fotografias ao carro. 

Recentemente, em Itália, optámos por escolher a Europcar, uma vez que foi a única que além do bom preço, deixava claro quanto seria pago no balcão, já com o seguro e equipamento de inverno, assim como quanto custaria a caução. O processo de recolha e drop off do veículo foi muito suave, sem nada sneaky. 

Para quem viaja com um budget, não podem haver surpresas e escolher bem é determinante para um saldo positivo.

 

 

05
Dez17

Airbnb e o futuro do turismo de aplicação


Leonardo Rodrigues

pexels-photo-101808.jpeg

 

Estou perfeitamente ciente dos aspetos negativos, mas nunca precisámos tanto do Airbnb como este ano. Tal como os hotéis, há de todos os gostos e feitios. Pode ser um quarto, um apartamento ou um palácio, com apenas um twist: conseguimos ter mais por um valor inferior. 

É mais conveniente ter uma casa emprestada, com tudo o que precisamos para uma estadia confortável e personalizada. Além de podermos cozinhar, o que pode ajudar a reduzir as despesas de viagem, muitos sítios já incluem o pequeno almoço. 

É uma plataforma que funciona, totalmente orientada para os futuros hóspedes. Os pagamentos são realizados na íntegra dentro da mesma, pelo que em caso de algo menos lícito o nosso dinheiro fica salvaguardado. Algo que me parece fundamental, ao contrário de sites como o Booking - que também utilizamos - , que apenas destacam a parte positiva dos comentários, o Airbnb mostra o comentário por inteiro de quem lá ficou. Só comenta quem utilizou, depois da estadia e pagamento.

Os anfitriões também podem dar feedback sobre as pessoas que hospedam, construindo-se uma verdadeira comunidade que permite transformar este serviço em algo mais seguro. Ficamos todos, desta forma, a saber com o que contar. 

A meu ver, nas terras mais reconditas, partilhar a casa que não é utilizada ou a casa de férias, com este turismo de aplicação, é praticamente inócuo e até serve como dinamizador da economia local.

Para entrarmos nos aspetos negativos, temos de nos debruçar nas grandes cidades ou naquelas que, por diversos fatores, sabemos que serão turisticamente apetecíveis. Aqui é que a porca torce o rabo: os senhorios escolhem progressivamente fazer numa semana o que fariam num mês, o que é lógico. Os turistas - até nós quando o somos - , preferirem o Airbnb também é compreensível.

Aqui começa o problema da habitação e dos transportes. Mas, como grande parte dos problemas, só existe enquanto quem pode não investe e legisla. É por isso que as soluções encontradas nos países a norte, que passam pelo mesmo, se tornam interessantes. Em certas zonas proíbe-se o arrendamento de curta duração, sem que a porca torça o rabo. Além de impostos, este tipo de alojamentos passam a incluir uma taxa turística superior no valor.

O ruído não deveria ser um argumento válido, é uma questão de civismo. Todos os Airbnb's que utilizámos este ano, localizados em prédios, proibiam festas. As cidades, novamente, não podem é ser tão brandas a lidar com o ruído. E, sim, Portugal e Lisboa são brandos a lidar com o ruído provocado tanto pelos vizinhos, como estabelecimentos e clientes. 

Quanto à destruição do setor hoteleiro, isso sabemos que não é bem assim, basta olharmos para a taxa de ocupação. Mais, alguns hotéis e hostels também disponibilizam os seus quartos na plataforma. Paralelamente, o Airbnb tem fomentado a criação de algumas empresas que fazem a gestão deste tipo de alojamentos.

A aplicação existe desde 2008, mas ainda não foi feito que chegue para permitir uma convivência saudável entre anfitriões, habitantes e turistas. Soubémos ontem de um acordo inédito entre o Airbnb e o Turismo de Portugal que visa pôr termo ao que não for legal. É um excelente passo em direção ao futuro, mas ainda vamos caminhar muito até lá, com ou sem vontade. 

31
Out17

Kevin Spacey, ser gay não é para as ocasiões


Leonardo Rodrigues

MV5BMTkxNTEwOTk1MF5BMl5BanBnXkFtZTgwNjQ0NzE1MzI@._

Ontem, assim que acordei, percebi que se calhar o vilão Francis Underwood e Kevin Spacey não são assim tão diferentes. Digo isto por um motivo apenas, tentou criar uma diversão mediática para algo injustificável como é o assédio sexual, o que é agravado por ter sido dirigido a um menor.

Primeiro, começou por admitir que aquele seria um ato horrendo, e, embora não se lembre, pede desculpa. Depois, diz que as acusações o incentivaram a falar de outros assuntos, utilizando este momento para dizer que escolheu viver como homem gay, fazendo, por fim, um compromisso de auto análise. Felizmente não resulta para ninguém, nem pode.

Não sei se com isto esperou refugiar-se por detrás da comunidade LGBTI. A comunidade que há demasiados anos tem de ser uma comunidade. Que, há demasiados anos, tem de se demarcar de atos destes. Que, há demasiados anos, tem de explicar que pedofilia e homossexualidade não são a mesma coisa. Que, há demasiados anos, tem de explicar que o seu amor é válido. Que, há demasiados anos, sofre diariamente preconceito porque ama diferente. Que nunca escolheu nada disto.
Acho genuinamente que deveria tê-lo feito antes, pois há muito tempo que a janela está aberta. Ninguém tem de escrever a sua sexualidade na testa, é verdade, mas, enquanto figura pública com as responsabilidades que advêm da exposição, lamento que tenha escolhido este momento para o fazer, desta forma. A mensagem tende a misturar-se.

Ser gay não é uma escolha, muito menos para quando dá jeito, tal como não é ser heterossexual, Mr Kevin.

Foto: Netflix

 

 

 

 

28
Out17

post sem fotografia, sobre um momento


Leonardo Rodrigues

A imagem, em relação ao texto, desde há uns séculos, assumiu um papel central, a começar pela imprensa. As nossas casas também seguiram o exemplo. Como não era tão acessível, pelo que dita a lei da natureza, tinha mais valor. A minha avó, quando está lúcida, relembra a sua fotografia de casamento, que foi tudo menos instantânea. Vivendo a norte da ilha, teve necessidade de se deslocar com o marido, antes da luz nascer, até ao sul da ilha a pé. O vestido de casamento e o fato iam na mala. Os momentos tinham tanto valor, que se fazia um sacrifício do tamanho da distância para recordar mais tarde um momento passado. Hoje, basta meter a mão ao bolso e colocar o telemóvel em riste, para guardarmos uma momento que, na grande maioria das vezes, será esquecido. Ontem, decidi fazer uma caminhada anormalmente extensa com a Dóris e deparei-me com um espetáculo belíssimo. Ao chegar ao cimo do parque, a luz quente incidia magicamente em cima do verde acabado de crescer, graças à chuva que finalmente caiu. Os troncos das árvores estavam mais escuros devido às brechas de luz, que só deixavam o verde brilhar. O meu primeiro impulso foi tirar uma fotografia, mas o telemóvel estava em casa a carregar, então comprometi-me a memorizar o momento e, para o efeito, parar durante vários minutos. Tanto que foi apreciado, que hoje se escreve um post sem a fotografia,sem provas, só com palavras.

27
Out17

Grandes males, grandes bens e uma viagem de sonho a Itália


Leonardo Rodrigues

pexels-photo.jpg

 

No topo das coisas mais aborrecidas que nos podem acontecer estão pedidos de férias rejeitados e, claro, voos cancelados. Quando combinados, a catástrofe pode transforma-se num milagre. 

O meu voo para casa foi cancelado, como vos contei no post difficultJet, um filme easyJet e Portway, e o outcome foi um voucher de consolo de 170 euros. Pouco tempo depois, com mais férias por gozar, e com muita vontade de fazer praia, pedi os restantes dias para setembro, mas afinal só me deixavam em novembro. 

A pergunta que se instaurou foi, onde podemos ir os dois com 170 euros em novembro? A resposta inicial parecia apontar para os clássicos Londres e Paris. Contudo, rapidamente se tornou óbvio que a resposta certa seria Itália.  

Quase sem acreditar no que estava a fazer, marquei ambas as passagens - de ida e volta - com um saldo de voucher positivo de 3 euros. 

Poucos minutos depois estava a lacrimejar. Sem gastar um cêntimo que fosse, estava a preparar a realização de um sonho com mais de 10 anos, visitar Itália. Sempre namorei o nome do país, bem como a sua grande História. Mas acredito que uma relação mais profunda se iniciou quando li o livro Entre dois Mares, de Carmine Abate e sedimentou-se com a Última Viagem do Valentina, de Santa Montefiore. Claro que o meu coração ficou destroçado quando percebi que a vila onde se passava o romance, algures na costa de Amalfi, não era um sítio real. 

Ainda assim, continuei a construir a minha ideia de Itália, onde o azul vibrante contrasta com o verde vivo e, quando chega a altura do ano, os mágicos tons de castanho. Onde bruschettas caem do céu e vinho jorra das fontes. Onde as pessoas são calorosas e falam com as mãos. E onde tudo tem uma vista com som a pássaros e se anda a tropeçar na História. 

 

25
Out17

A dança da (in)competência


Leonardo Rodrigues

pexels-photo-417070.jpeg

Antes de mais, este não é um post a dizer a ninguém "és feio, mas sem ofensa". Temos todos uma parte menos bonita, até no que à competência diz respeito. E é disso que quero falar. 

Acredito que a todos devem ser dadas as mesmas ferramentas e oportunidades. Alguns pegarão nisto e irão transformar as suas vidas e as de outros. Outros, mesmo com mérito, nem sempre conseguem lá chegar. Há ainda uma outra esfera que, de forma geral, decide fazer uso do poder político. 

A política não se faz apenas no Estado, está em todo o lado, até nas reuniões de condomínio, e tem que ver com likeabiliy e saber usar a palavra. É o tal jogo de cintura. Seremos hipócritas se dissermos que nunca deixámos uma verdade incómoda no ar para que tivesse um efeito x ou y. 

Existem pessoas que não têm um talento nem capacidade especial, apenas isto, jogo de cintura nível ventre da Shakira. Embora este comportamento por vezes seja sufocante de observar, parece a mais natural dança de sobrevivência, em grandes empresas e no Estado. 

É com esta dança que, muitas vezes, aqueles à margem da competência sobem. Curiosamente, e com pena, nem sempre quem promove isto se apercebe e, pior ainda, quem está na base da cadeia alimentar não ousa dizê-lo. 

Talvez não tenha muito que ver, mas isto faz-me pensar num conceito de economia, chamado de Mão Invisível, a regulação natural e mágica da economia. Como que por magia, parece que deixamos tudo se auto regular, enquanto observadores passivos.

Atenção que sei que metade das vezes não é nada assim. Contudo, quero dizer que seja onde for, para haver uma mudança real, temos de nos juntar à dança, dando o exemplo, dançando e fazendo diferente. É a formula de sempre. 

 

 

 

17
Out17

As árvores vivem de pé


Leonardo Rodrigues

plant-paprika-pepper-grow-82728.jpeg

 

A vida real não é um espetáculo de grandes planos e de música cinematográfica. Sinto, vez após vez, que os cenários que se descrevem como dantescos se apresentam assim perante nós. 

Pior, as pessoas que elegemos, sucessivamente, fazem o mesmo. Querem pareceres, relatórios, análises e, se ainda houver dinheiro, um desenho. Depois do frenesim mediático, tudo morre, ano após ano. E com a morte mediática, vem a morte da floresta e das gentes. 

Não temos de ir muito longe nesta curta linha de tempo, a Câmara de Leiria sabia que o pinhal necessitava de limpeza. Creio que tinham deixado para 2018. Agora que sobrou um bocadinho de pinhal, talvez mandem fazer um museu em 2020 - desde que, claro, não disturbe o OE.

A culpa não é exclusivamente da inoperância de quem tem meios e autoridade para atuar. É também das empresas com sede de lucro, de quem não faz nem deixa fazer com os terrenos, de quem não limpa, de quem suja, de quem não quer saber, e de quem acha por bem queimar centenas de anos. Como a mãe de uma amiga diz, "quando a lei é branda o homem é mau".

O eucalipto não tinha de ser um inimigo a abater, se não fosse a espécie predominante. É muito bonito termos meio milhão de proprietários florestais, mas corre mal quando temos menos de 16% de floresta pública. Sabemos que o sobreiro - embora existam espécies melhores - serve de "tampão", por causa da cortiça, mas o pinheiro e eucalipto ganham a discussão económica. 

Não tenho dúvidas de que vamos conseguir replantar, que temos conhecimento que chegue para recuperar, mas tem de haver uma completa reestruturação deste sistema. Não chegam palavras de ação sem a ação. Tal como as doenças, a solução mais eficaz, e barata, é prevenir. Além de ser tempo de punir, é de dar o exemplo. Temos de ir para a rua mostrar descontentamento, é verdade, mas também de sair para cuidar.

E, embora a lei tenha de ser dura lex sed lex, serve apenas de relações públicas, se a consciência de um povo não a acompanhar. Precisamos de uma mudança de consciência, precisamos que Portugal perceba que não comemos graças ao dinheiro dos 2% que a floresta alimenta, mas que 100% respira graças às árvores que, vivendo em pé, sem dias de folga, tornam o nosso ar respirável. 

 

 

12
Out17

Pedi um crédito, e o computador said no


Leonardo Rodrigues

pexels-photo-164474.jpeg

Ontem foi um dia interessante, de me lembrar de histórias. 

Vou começar por contar uma das piores fases, que nunca encontrei forma de abordar no blog. A vida, com a faculdade, ficou diferente. Por isso, há cerca de dois anos e meio, vendi um computador que me tinha custado mais de mil euros e a máquina fotográfica. A alternativa seria ficar sem casa. Confesso que custou, o valor emocional que atribuía àqueles objetos e toda a situação frágil foi avassaladora. Mas, até ao dia de hoje, sei que fiz a escolha inteligente, ter um teto para me recompor. 

Ontem, vi um computador que queria. E, além de estar a um ótimo preço, imaginem só, havia uma campanha sem juros. Fiz o esforço de entrar num centro comercial para saber como se processava tal milagre, oferecido pela Santa Cetelem. Antes de conseguir chegar concretamente à campanha que queria, tive de recusar veemente dois cartões de crédito. 

Depois, tive de ouvi-la a explicar-me tudo  - por vezes com informação de uma campanha anterior - , como se fosse mesmo muito estúpido e não conseguisse fazer contas. Chegou mesmo a dizer-me, com um tom condescendente, "ainda bem que pergunta, faz muito bem em ler as letras pequeninas, eu também leio sempre", quase que tinha um AVC. Se tratarmos as pessoas como crianças, elas assinam coisas?

Tudo bem, aquilo era rápido, e a proposta de sair com um computador que não sobreaquece e precisa estar ligado à corrente, tornava tudo suportável. A decisão não seria tomada por ela, mas sim por um formulário que preenchi e me bebeu os dados do cartão de cidadão em segundos. No final, o formulário disse-me que não, e ela: "pelo menos o José tentou". Detesto que me tratem por José.

Além disto poder ser uma cena do Little Britan, que celebrizou a expressão, computer says no, por estar tão o perto, mas inacessível, lembrei-me de algo que vi este ano, à porta de um McDonald's em Istambul. 

Um menino sujo, enquanto espancava o vidro, chorava como nunca vi ninguém chorar, para pedir comida. Quase imediatamente a seguir, vinha uma empregada afasta-lo dali, como se fosse um pombo à procura de migalhas. Um contraste chocante, com as pessoas que comiam aquela comida apelativa, num espaço cheio de luz. Era apenas um vidro e uns trocos, mas ditava o que uns e outros podem ter. 

Aquela condescendência toda quase que me magoou, mas obriguei-me, minutos depois, porque há sempre, a ver o outro lado da moeda. 

Não me posso comparar a esse menino, em tão pouco tempo passei a ter uma família que me ama, emprego, férias marcadas, uma casa ótima, e uma dispensa que se compõe sempre. Vou continuar a ter um computador velhinho, é verdade, mas fico sempre com mais do que quando vendi o computador xpto. A felicidade não tem mensalidade. 

 

 
 
 
 
09
Out17

Entrada que pode ser prato principal: Húmus de Brócolos com palitos de cenoura assada


Leonardo Rodrigues

image1 (3).jpeg

 

Mentiria se dissesse que na cozinha não tenho vários ingredientes obrigatórios, quase obsessões. Existem alguns que não combinam juntos, mas há outros que quanto mais juntinhos melhor, o que culmina sempre em algo entre o puré e o húmus. Mentiria mais se dissesse que planeio a maioria das refeições, em vez de criar uma forma de adaptar o que há, ou pode ser comprado na mercearia lá de baixo. E é a grande verdade desta interpretação do húmus. 

 

image5.jpeg

Para moer esta combinação, os ingredientes necessários: grão de bico cozido, tomate, cebola e brócolos. O tempero: azeite, vinagre balsâmico, alho, sal, pimenta preta e caril. Para os palitos de cenoura, é só temperar com sal, azeite, pimentão doce, alho e oregãos, e levar ao forno. Para tornar isto digno de almoço, adicionei pão de centeio.

Não gosto de estabelecer regras, especialmente quanto a quantidades. O que se deve almejar sempre é um equilíbrio, tendo em conta a textura que pretendemos e o sabor. Se quiserem fazer isto com mais consistência, podem, por exemplo, retirar o tomate. Se quiserem um sabor mais suave, usar limão em vez de vinagre e retirar o caril. Enfim, uma infinidade de combinações. 

image2 (1).jpeg

Espero que o #CHEFLÉO vos tenha conseguido causar salivação, com outra receita vegan. Para não perderem nem uma pitada de sal, o melhor mesmo é ficar atento ao Facebook e Instagram.

 

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Copyrighted.com Registered & Protected 
HMLF-E7YY-MGTC-ZU7E

Lugares

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D