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LEONISMOS

LEONISMOS

15
Set17

Alzheimer: viver sem a memória de quem somos


Leonardo Rodrigues

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Ter Alzheimer é o mesmo do que viver sem termos bem consciência de quem somos, apenas do que fomos.

Foi isso que senti ao ver a senhora a quem aprendi a chamar de avó, embora não o fosse biologicamente, na minha última visita a casa. Vi-a, sem exagerar, quase diariamente durante 18 anos.

Antes de me mudar, presenciei um momento inicial da sua perda de lucidez, ainda não tinha feito noventa. Estávamos a contar dinheiro e ela encontrou uma moeda estrangeira, fazendo questão de o referir com entusiasmo. Depois, voltámos a contar o dinheiro e, assim que chegámos à tal moeda, aconteceu novamente. Aconteceu uma terceira vez. Coloquei a moeda de lado, e fizemos uma última contagem.

É avassalador ver a nossa avó assim. A senhora que tomou conta de nós, que nos via à distância, que nos contava histórias - que não tivessem de ser censuradas - com tamanha lucidez e detalhe que era o mesmo que recuarmos a outra época, e ver a nossa terra quando tudo era diferente. 

Agora é muito isso que resta, o passado. Estivemos a ver dois dos meus álbuns, mesmo sem que ela tivesse bem a consciência de quem era. Por vezes dizia, este é o Leonardo. Outras, este és tu, não és? E, olha, esta sou eu, verdade? Com uma inocência e doçura nos seus lindos olhos azuis. O seu cabelo cinzento e olhos azuis são coisas que nunca mudaram.

Em vez de estar a reconhecer uma moeda diferente, ela estava a fazer um esforço para conhecer caras que viu durante 50, 20, 30 anos.

E depois lembrei-me que, quando estava no 10º ano, pensei que seria bom escrever um livro sobre a vida daquela Mulher. Mas isso foi impossível, ela não conseguia falar na presença de um gravador ou de um bloco de notas e caneta. E eu nunca tive a memória dela. 

Mas há uma história que, para mim, merece ser partilhada. Quando ela era mais nova, as escolas dos meninos e das meninas eram separadas por alguns quilómetros, naquela terra. E não é que eles não tivessem um olho apurado, tinham mais ainda. Sempre que passavam ao lado da escola, começavam a gritar "Maria Isabel vai casar com o doutor Abel", todos os dias, deixando a minha avó corada. E isso aconteceu. Ela esperou que ele regressasse da tropa, tiveram vários filhos e sempre acolheram toda a gente que por aquela casa passasse. Só a morte os conseguiu separar.

Depois de cuidar de tanta gente, eu inclusive, chegou à altura de cuidarem dela, mesmo que nem sempre saiba o que acontece. Ainda faz ponto cruz, sabe a tabuada, canta as músicas que louvam Salazar e continua a querer ir à missa. Sempre que é fim de semana, e a filha diz que vão à terrinha, vai logo fazer a mala.

E eu despeço-me, sempre consciente de que ela já não sabe quem sou, com memórias que cheiram a bolos, milho e vindimas. 

 

 

13
Set17

E se o seu filho quiser experimentar um vestido?


Leonardo Rodrigues

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A resposta mais simples de todas é: pode ser que, noutra vida, tenha sido escocês. 

Porquê é que eu me lembrei de escrever tal coisa? Ora, uns pais no Reino Unido retiraram o seu filho da escola porque outro aluno, com 6 anos, foi autorizado a usar vestido. Acham que a escola os deveria ter consultado, acerca da vida de alguém que não está a seu cargo.

Muitas crianças, por todo o mundo, sentem que nasceram num corpo errado. Isto não tem nada que ver com orientação sexual. Por exemplo, pode haver alguém no corpo de uma rapariga, que sinta que é um homem, e que goste de mulheres. Aqui, mesmo necessitado de uma mudança, é heterossexual. 

E, por muito que nos custe a perceber, pode não ter nada que ver com isso. Pode simplesmente preferir usar um vestido, sem isto carecer de psicanálise. Realmente, e não me acusem de politicamente correto, se uma mulher pode usar calças, porque não pode o homem usar um vestido ou saia, se assim entender?

Quando era mais novo, lembro-me de dois dias em que experimentei coisas de senhora. Vesti um vestido, calcei uns saltos e pintei-me, ou borrei-me, de maquilhagem. Noutro, depilei tudo, até as sobrancelhas. Não tinha esta referência da minha mãe, ela apenas tinha os sapatos de salto guardados, nunca usou a bendita maquilhagem, com muita pena minha. Eventualmente, começou a pedir-me que lhe tratasse da manicura e, isso sim, foi um tiro pela culatra. 

A verdade é que quando vi o resultado não gostei, continuava a identificar-me com as roupas de sempre. Se tivesse sido doutra forma, acho que não haveria ninguém capaz de lidar com isso à minha volta, o que teria tornado tudo ainda mais complicado. 

Será que temos mesmo de ensinar a complicar a vida dos outros? Quando digo complicar, não estou a colocar em pé de igualdade o sentido crítico. Devemos questionar o que nos rodeia, e procurar saber mais. Nunca escolher isolar-nos a nós, ou outros, de uma questão que merece ser compreendida. Desconstruir, desconstruir, desconstruir. 

Para responder, pelo menos hoje, a uma questão que coloco aos outros, se o seu filho quiser experimentar um vestido, tem que agir com a naturalidade com que o deixa brincar com um carro, ou permite que leve a camisola azul para a escola novamente. Ninguém fez nada errado, apenas vamos todos crescer para ser o que sempre fomos, e é mais fácil se houver sempre apoio.

 

Deixo-vos a entrevista com os pais, à BBC:

 

 

 

12
Set17

Passatempo: 2 convites duplos para o Festival de Cinema Queer 21


Leonardo Rodrigues

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Não é segredo, nem foi, que o Festival de Cinema Queer estará em breve de volta ao São Jorge. Algo que é, para muitos, a semana de overdose visual e cultural mais aguardada do ano.

Este ano são 90 filmes, de 32 países. Para tornar este regresso do Festival ainda melhor, uni-me ao Queer para oferecer, por agora, 2 convites duplos - há mais, em breve - para "Homogeneous, Empty Time", a estrear dia 20 de setembro. 

Esta longa metragem de Thunska Pansittivorakul e Harit Srikha é, de certa forma, um regresso à violência, procurando a fundação da Tailândia enquanto nação. Fá-lo, confrontando várias realidades, quer do aluno do secundário, quer de líderes de uma direita saudosista. Às tensões entre muçulmanos, por exemplo, teremos acesso através de um olhar de um casal de lésbicas. Além do contexto político de uma nação fragmentada, iremos aceder ao lado místico, dos fantasmas que pairam na vida de muitos.

 

 

Como ganhar os convites:

1 - Colocar gosto na página do blog, aqui

2 - Comentar, no Facebook, a publicação do passatempo com o nome de quem levariam convosco, aqui.

3 - Partilhar a mesma de forma pública. 

 

Vejam, ainda, o trailer do festival:

Nota: Sendo um filme para maiores de 16 anos, não serão aceites participantes de idade inferior. Apenas serão consideradas válidas as participações que cumpram os requisitos acima indicados. A cada uma será atribuído um número. Posteriormente, serão escolhidos dois números através do random.org, que irão ser contactados via mensagem privada no dia 18-9-2017. Os bilhetes destinam-se exclusivamente a esta sessão, não podendo haver troca nem convertê-los em dinheiro. 

08
Set17

Objetos onde vivem histórias


Leonardo Rodrigues

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Quando era mais novo, pensava que o mundo possuía mais magia do que agora. Acreditava, entre muitas coisas que lá descobri não serem verdade, que os meus peluches, embora não me respondessem, eram dotados da capacidade de ouvir e sentir.

Justificava o facto de não se mexerem, nem produzirem som com o processo de fabrico. Mas claro que o coelho azul que me fazia companhia tinha, de alguma forma, o sopro da vida lá dentro. Claro que lhe podia confidenciar o que me inquietava, num mundo que nunca chegaria a perceber. Ainda mais natural era pedir desculpa quando tinha sido injusto, não havia culpa nele. O mesmo para as árvores, e assim por diante.

Por algum motivo, comecei a lembrar-me disto ontem, quando finalmente consegui instalar este candeeiro turco que comprámos em Istambul. Vê-lo aceso trouxe-me de volta à loja, que se encontrava numa rua ladeada por árvores bem verdes. Lá quase só se vendiam candeeiros e sabonetes artesanais. Que raio de combinação, pensei eu!

Mas não é apenas isso, o rapaz que nos vendeu o candeeiro, quase à hora do sol se pôr, era sírio. Falava um inglês que se aprendia ao ritmo lento do turco, mas que fora suficiente para termos uma conversa que vou guardar para sempre. Disse-me que a vida no país que ama acabou e que, embora a família ainda lá esteja, sente-se otimista com o novo começo, num país cheio de cor e vida. Prova disso foi ter-me dito baixinho, como se fosse para Alá não ouvir, que tinha fumado, embora não tivesse violado o jejum da comida - mandatório durante o Ramadão. Claro que não percebi esta escolha, mas não me cabia a mim questioná-la. Como me disse, era a vontade inquestionável de Alá.

Neste candeeiro que agora vai ser aceso todos os dias guardo a viagem, as pessoas e as emoções que tudo me trouxe. Por isso acumulamos coisas. Afinal os objetos realmente têm vida, mas que depende de nós e das histórias e emoções que neles depositamos.  É tudo sempre nosso.

28
Ago17

Cães que não me importava de adotar: Pérsia


Leonardo Rodrigues

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De jantares e viagens de carro surgem boas ideias. Há uns tempos, vieram duas amigas jantar cá a casa. Uma delas faz voluntariado na AZP - Associação Zoófila Portuguesa, tratando dos cães abandonados que esta instituição acolhe. 

Ela, ao cruzar-se com a brincalhona da nossa Dóris, decidiu que precisávamos da Pérsia, cadela acolhida, para lhe fazer companhia. Expliquei-lhe que de momento não iríamos acolher outra cadela, mas que poderíamos ir visitá-la. Mais tarde, ao ler a Sónia, do Cocó na Fralda, que adoro, pensei se existe uma rubrica "Casas onde a cocó não se importava de morar", a blogosfera pode precisar de "Cães que não me importava de adotar". Dito e feito. 

Fui, então, conhecer a AZP, com uma outra amiga minha. Embora, no seu âmago, não sejam uma instituição de acolhimento, têm uma sala onde estão 5 cães sem teto permanente. 

As condições estão longe de ser ideais, mas estão acolhidos, têm água, comida, longos passeios com quem se voluntaria, e amor. Embora seja o indispensável, não chega. Estes animais que foram entregues à sorte da cidade, também merecem um sistema de apoio mais estável, num lar que tenha melhores condições, com uma família fixa. 

A Pérsia, é uma cadelinha arraçada de podengo, muito parecida com a Dóris, que foi abandonada na IC16, correndo risco de atropelamento. Uma pessoa bem intencionada trouxe-a para esta associação, onde está já há 9 meses.image1.jpeg

É uma cadelinha muito querida, cheia de energia e adora pessoas. Neste momento, devido ao contacto com um cão mais empolgado, está a perder a capacidade de socializar com cães, pelo que é importante que encontre um lar rapidamente. 

Quando a deixámos de volta ao seu abrigo, notou-se a tristeza, algo a que não foi possível ficar indiferente. Espero que este post possa encontrar alguém merecedor daquela cadela. Em caso de interesse, podem enviar-me um email para leonismos@sapo.pt.

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25
Ago17

Um livro educativo não é um artigo de opinião


Leonardo Rodrigues

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Ontem ao jantar, porque a televisão trouxe novamente o assunto para dentro da sala, discutia-se os tais livros da Porto Editora. 

Em vez de ser criado um livro de atividades para x idades, criaram-se dois, separados por sexo. O mesmo faz-se com o gel de banho, com ao desodorizante, entre outros exemplos. Acontece que, nestes, mesmo mudando o rótulo a qualidade não fica comprometida. E, claro, está comprovado que esta estratégia de marketing consegue impulsionar mais vendas do que versões familiares - iguais. 

Sendo sempre o objetivo o lucro, segmentar os livros em termos de idade é compreensível, acompanha o desenvolvimento das crianças e torna o livro mais leve. Não sei se entendo uma segmentação em termos de sexo, mas mesmo dividindo desta forma, o mesmo não deveria ter um nível de complexidade diferente.

No livro da Porto Editora, além daquele labirinto simplificado, temos exercícios com menos opções para as raparigas e representações de tarefas tradicionalmente associadas à mulher e outras aos homens. 

Li, em vários sítios, comentários em que sentia masculinidades afetadas, outros consideravam o fim da liberdade de expressão. 

Tradicionalmente, e reavivando a memória, as mulheres ficavam em casa, não estudavam nem votavam. Mudar isto não for ser policamente correto, apenas correto.

Como o conhecimento não é desodorizante, deve ser igual. A nossa formação começa numa idade tenra. Não é justo uma menina ter de ambicionar casar e ter filhos, enquanto o rapaz ambiciona ser astronauta.  

Por uma série de fatores, cada humano terá as suas diferenças, quererá interessar-se por isto ou por aquilo, mas, no que à educação académica diz respeito, tem de lhe ser dado acesso ao mesmo. As oportunidades não se devem excluir. Um livro educativo não é um artigo de opinião. 

 

 

 

21
Ago17

A mulher que está no mesmo sítio há 20 anos


Leonardo Rodrigues

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Cruzamo-nos com as pessoas mais extraordinárias todos os dias. Arrisco-me a congeminar que todas o são, pudéssemos nós ouvir as suas histórias e pensamentos.

Geralmente deixo-me levar pelas histórias que vou construindo, mas é sempre melhor ouvi-las. Não há muito tempo, estávamos a caminhar debaixo do sol ardente de Atenas, quando dei por mim a subir uma rua para entrar numa galeria de arte, algures no bairro de Plaka. 

Era um sítio apetecível para um turista deslumbrado com a Grécia, com pinturas que mostravam o melhor do país e do mundo. Os quadros eram de um único autor, cujo nome tenho num cartão. 

Não demorou muito até começar a conversar com a única pessoa que lá estava. Era uma mulher nos seus quarentas, com imensa vida dentro dela, um olhar taciturno e um sotaque inglês super peculiar. Era a mulher do artista.

Questionei-a, com entusiasmo, o quão maravilhoso era ter visitado aqueles locais todos. Ela disse-me que não viu nenhum, e que está em Atenas há 20 anos, desde que veio da Albânia à procura de uma vida melhor.

Ele pinta, ela vende. Assim é todos os dias da semana, de manhã à noite. Falámos pouco mais, já que entretanto me tinha desencontrado da minha companhia.

Desde então que penso nesta conversa, na forma como as palavras se organizaram e expressão que tinha no rosto.

Nenhuma forma de viver é errada, caso os olhos indiquem que está tudo bem. Poderemos, nós, deixar-nos ficar no mesmo sítio da vida, contra a nossa vontade? Ou melhor, estamos no sítio onde queremos estar?

 

05
Ago17

In a Hearbeat - E se dois meninos se amarem?


Leonardo Rodrigues

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Há um novo vídeo a correr a Internet de uma ponta à outra. É da autoria de Beth David, e chama-se, traduzido por mim, Numa Pulsação. Cá em casa vimos esta curta ontem, por duas vezes, e não deu para conter a comoção. Este sucesso mostra, de forma simples e inocente, a possibilidade de amor entre dois meninos. Acho que o faz da forma certa, sem chocar, tornando mais fácil explicar o amor a todos. E, prova, novamente, que o amor não escolhe um sexo, por mais que os olhares possam não estar habituados. Por vezes, quando o nosso coração escolhe, somos julgados. Mas, para amar, lá está, há coisas que não podem importar, como o sexo, a cor, a idade e as opiniões dos outros. Como ouvi no outro dia, amor é amor. Se o coração falar mais alto, o amor não tem remédio senão vencer, sempre. Além de mexer convosco, acho que, em 4 minutos, estarão com um sorriso no rosto.

 

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04
Ago17

É fácil ser agricultor num apartamento, sem terra - IKEA DIY


Leonardo Rodrigues

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Enquanto menino do campo, quer com vontade ou a contra gosto, estive sempre ligado à agricultura.

Ajudava a minha avó quando era mais novo, mesmo sem perceber os meandros da coisa, já que isso me fazia sentir um dos "grandes". Mais tarde, o meu contacto com a terra resumiu-se a plantar uma árvore no jardim que ficava atrás do meu quarto, já que preferia andar com a cabeça nos livros.

Com a vinda para a cidade, achei que cultivar passava a ser uma coisa distante, pelo menos enquanto não tivesse a minha porção de terra. E, mesmo tendo, ocuparia uma parte significativa do meu tempo.

Estava errado. Para começar, não há necessidade de haver terra para se cultivar. Há necessidade de 3 coisas, água, nutrientes e luz - que pode não ser solar, mas LED. Ao cultivo feito desta forma, chama-se hidroponia.

Existem muitos vídeos que explicam como fazer o nosso próprio sistema de cultivo, mas encontrei um bastante acessível à maioria na gigante sueca IKEA. Chama-se VÄXER e, até ao momento, permite cultivar 9 espécies de plantas comestíveis. 

Lembrem-se da lição mais importante de todas, crescer a nossa própria comida é como crescer o nosso dinheiro. E podemos, em qualquer casa, começar a fazer por isso. 

Poderia explicar passo a passo, mas a IKEA tem um vídeo bem melhor do que mais parágrafos:

 Eu segui os passos, assim:

 

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Como cá em casa temos muita luz natural, não comprei os LED's - o mais caro. Poupei dinheiro, gastei quase 30 euros, e as plantas cresceram na mesma. Ora vejam.

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Espero que se sintam inspirados em meter mãos à obra, já que não suja nada. Ah, e que acompanhem o blog no Facebook, o que também não suja nada.

 

 

 

03
Ago17

As praias mais exclusivas da Madeira


Leonardo Rodrigues

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A Madeira, além de um jardim, é também um fantástico destino de praia. Aliás, a Pérola do Atlântico, é um destino para tudo e para todos, bem como o seu microclima. 

Há quem pense que as pedras, em vez da areia, podem ser um incómodo maior do que realmente é. Mas, até mesmo para esses visitantes, há solução. Importámos areia da ilha vizinha, o Porto Santo, e agora também temos praias de areia amarela. Além destas "artificiais", e as de pedra, pode-se escolher entre areia escura, piscinas naturais, as dos hotéis e mais umas quantas praias pagas. 

Mas não é de nenhuma destas que vos quero falar hoje. Quero falar-vos de duas praias apenas descobertas, por mim, agora. Fazem parte do mesmo trilho e chamam-se Baía D'Abra e, um pouco depois, o Cais do Sardinha.

Há necessidade de se deslocarem a um dos extremos da ilha de carro, ou autocarro, pertencente ao Caniçal, a Ponta de São Lourenço. 

Sendo que têm muito que caminhar, uma vez no ponto de partida, se não levaram mantimentos, podem comprar na food truck que se encontra junto ao início deste percurso, até a um dos extremos da ilhas. Felizmente, ele lembrou-se de comprar água ou teríamos todos ficado lá em baixo com a desidratação.     

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Há necessidade de caminhar sensivelmente uma hora, ou mais, caso seja impossível não parar de contemplar as paisagens sublimes que só a natureza quase intocada pode proporcionar. 

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É um percurso exigente, mas bem sinalizado. Como tem apenas uma faixa, garanto que não há como errar.

Embora um grupo tenha conseguido construir um aldeamento turístico com marina, a Ponta de São Lourenço é uma área protegida. Além das vistas estonteantes, para os amantes da natureza, terão a oportunidade de conviver pacificamente com mais de duzentas espécies que povoam a zona. 

Depois da espera muito aguardada, chegam às águas mais límpidas e cristalinas que a maravilhosa Ilha da Madeira pode oferecer. Primeiro na Baía D'Abra, depois no Cais do Sardinha.

Graças a uma ótima temperatura da água de verão, é só entrar, e continuar a desfrutar de um ótimo dia de família. Sem som, ondas ou pessoas. Só vocês e as pessoas que importaram o suficiente para fazerem tal caminhada juntos. 

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